O governo acusa o Hezbollah e aliados de tentativa de golpe de estado, enquanto o Exército tenta controlar os combates entre facções rivais
O grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, tomou o controle da parte muçulmana de Beirute ontem, o que representa um grande prejuízo para o governo apoiado pelos Estados Unidos. Fonte ligadas às forças de segurança disseram que pelo menos 11 pessoas foram mortas e 30 ficaram feridas nos três dias de batalhas entre atiradores a favor do governo e militantes leais ao movimento político xiita que tem um poderoso exército de guerrilha. Os combates, que são os piores desde a guerra civil (1975-90), começaram nesta semana quando o governo tomou decisões contra o sistema de comunicações militares do Hezbollah. O grupo disse que o governo declarou guerra. Em cenas que lembram os piores dias da guerra civil, homens armados com rifles rondavam as ruas em meio aos carros destruídos e prédios em chamas. Segundo a BBC, a oferta de trégua do líder sunita governista Saad Hariri foi rejeitada pelo Hezbollah e a residência oficial dele foi atingida por fogo de lança-granadas, em meio aos confrontos entre militantes pró e contra o governo. Guerrilheiros da milícia xiita atacaram inclusive os prédios do canal do Future TV, do jornal al-Mustaqbal e rádio Ash Sharq, todos pertencentes a Hariri. De acordo com fontes do Exército, os milicianos disparam com fuzis e lança-granadas contra os prédios e depois entregaram o controle para os militares, com a condição de que as emissoras encerrassem as transmissões e evacuassem seus funcionários. Forças de segurança informaram que o Hezbollah, que também tem o apoio da Síria, tem guerrilheiros posicionados em 11 bairros da capital e já detém o controle dos bairros de Hamra e Verdun. Há tiroteios nas imediações das residências de Hariri e do líder druso Walid Jumblatt. Há informações de que negociações estão em andamento para que Jumblatt possa deixar a área em segurança e, de acordo com emissoras libanesas, os seguranças do ministro da Informação, Ghazi Aridi, se renderam e entregaram suas armas às milícias da oposição. "O partido, apesar de seu poder militar, não pode anular o outro", disse o líder da minoria drusa, ao canal LBC. "Só o diálogo já traz resultados. Fugir do diálogo não é útil."