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MUNDO
Sexta-feira, 18 de Maio de 2007, 21h:27

COCHABAMBA

Greve contra Morales bloqueia estradas

As avenidas de Cochabamba, quarta cidade da Bolívia em população, com cerca de 600 mil habitantes, amanheceram sob controle de grevistas

A cidade de Cochabamba, no centro da Bolívia, amanheceu ontem praticamente paralisada por um bloqueio das estradas devido ao início de uma greve cívica contra o governo do presidente Evo Morales, acusado de reduzir o orçamento regional. O governador da Cochabamba, Manfred Reyes Villa, opositor de Evo, declarou na manhã de ontem que a paralisação era "total" e o vice-presidente do Comitê Cívico regional, Javier Bellot, qualificou o protesto de "decisivo". As avenidas de Cochabamba, quarta cidade da Bolívia em população, com cerca de 600 mil habitantes, amanheceram sob controle de grevistas que desde a madrugada mantêm acesas fogueiras feitas com pneus. Também espalharam pregos para furar os pneus dos veículos que não acatarem a greve, mostraram canais de televisão. GREVE Apesar da greve, emissoras de rádio informaram que o aeroporto da cidade Jorge Wilstermann funcionavam normalmente, embora as ruas de acesso tenham sido bloqueadas por manifestantes. Bellot pediu aos grevistas que conduzam o protesto pelos "métodos mais adequados possíveis, dentro da lei e da racionalidade". Segundo a Prefeitura de Cochabamba, a redução do orçamento regional é de US$ 14,4 milhões, devido à "reassinatura" de projetos de desenvolvimento que deveriam ser financiados pelo governo de Evo e foram transferidas para a administração local. "Não estamos pedindo um peso a mais, ou que tirem de outro departamento para dar à Cochabamba, mas pedindo uma solução para este corte orçamentário", disse Reyes Villa à rede de televisão "PAT". "Cochabamba se põe de pé unida, pedindo uma solução para suas justas reivindicações", insistiu o governador. NEGA O governo negou que a "reassinatura" do orçamento gere um corte de recursos porque, na sua opinião, finalmente todos os investimentos previstos para a região serão realizados. "Não há motivo algum para a greve, que só prejudica o povo, porque não estamos tirando nem um centavo de Cochabamba", afirmou esta semana o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera. A greve é a primeira mobilização popular em Cochabamba desde que a cidade foi palco em janeiro de violentos conflitos entre camponeses cocaleiros partidários de Morales e seguidores de Reyes Villa, que deixaram três mortos e cerca de 200 feridos.

Edição EDIÇÃO 16962




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