A França negou formalmente ontem que seu emissário, Noël Saez, tenha entregado dinheiro a membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2003 para tentar a libertação de Ingrid Betancourt. A televisão colombiana RCN informou há dois dias que, segundo um e-mail encontrado no computador do número dois das Farc, Raúl Reyes, morto em uma operação colombiana no Equador em 1º de março, o emissário francês foi enganado e pagou pelo resgate de Betancourt. O Ministério de Assuntos Exteriores da França desmentiu "formalmente" em comunicado o que chamou "alegações" da televisão colombiana. Segundo a RCN, no suposto e-mail Reyes indicou ao então chefe máximo da guerrilha, Manuel Marulanda, que deixou claro para Saez que não entendia por que se entregou dinheiro sem verificar as identidades e garantias. O suposto pagamento a falsos membros das Farc teria acontecido por causa do fracassado tentativa de libertação de Betancourt, orquestrada pelo então chanceler francês, Dominique de Villepin. Sem avisar às autoridades brasileiras, Villepin enviou em segredo um avião militar a Manaus, à espera da libertação da refém, que não aconteceu. As revelações da RCN sobre o suposto pagamento efetuado por Saez e outras alegações contra o emissário suíço Jean-Pierre Gontard, coincidiram com a afirmação do governo colombiano de que já não se tem confiança nos emissários europeus e quer estabelecer contato direto com as Farc. De Paris, Betancourt pediu que a Colômbia reflita e aceite a ajuda de todos os países que se disponham a colaborar com a libertação dos seqüestrados em poder das Farc.