MUNDO
Terça-feira, 26 de Abril de 2011, 21h:24
A
A
SÍRIA
França descarta ação sem apoio da ONU
A Rússia e a China, que se abstiveram durante a votação que aprovou ações militares na Líbia, tendem a se posicionar contra qualquer intervenção na Síria
Um dia após a Síria enviar tanques de guerra à cidade de Deraa, prender 500 manifestantes e matar dezenas durante a violenta repressão aos protestos, a França disse que a situação é inaceitável e pediu à União Europeia (UE) e à ONU para tomarem medidas contra o regime do ditador Bashar al Assad. Uma intervenção militar sem o apoio das Nações Unidas, no entanto, foi descartada. Ao menos 25 pessoas morreram na segunda-feira vítimas da repressão aos protestos na cidade de Deraa, 100 km ao sul de Damasco, onde mais de 3.000 soldados apoiados por blindados e tanques foram mobilizados na manhã de ontem, segundo ativistas dos direitos humanos. MORTES No total, mais de 350 manifestantes já morreram desde o início dos protestos, apontam organizações de direitos humanos. O Escritório da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, informou ontem que, segundo os últimos dados, se eleva a "pelo menos" 107 o número de mortos na Síria somente desde a última sexta-feira. Em visita à Itália, o presidente francês Nicolas Sarkozy disse que a sangrenta reação do governo sírio aos protestos que pedem a renúncia de Al Assad está chegando ao limite da brutalidade. "A situação é inaceitável. Não se enviam tanques, Exército contra manifestantes, a brutalidade é inaceitável. Apoiamos as aspirações de liberdade dos povos árabes", disse. Os comentários chegam um dia após a própria França, ao lado da Alemanha, Portugal e Reino Unido, terem circulado um documento numa reunião do Conselho de Segurança (CS) da ONU (Organização das Nações Unidas), pedindo que o órgão condene as ações do regime. Também anteoontem os EUA disseram que estudam impor sanções unilaterais ao país, e nesta segunda-feira Washington pediu que todos os seus cidadãos e diplomatas deixem Damasco. CONTRA A Rússia e a China, que se abstiveram durante a votação que aprovou ações militares na Líbia, tendem a se posicionar contra qualquer intervenção na Síria. Os comentários de Sarkozy, ao negar publicamente uma intervenção militar na Síria sem o apoio do CS podem ser interpretadas como uma forma de chamar atenção ao assunto, e justamente à necessidade de se intervir no país de Al Assad, colocando ainda mais pressão sobre os países membros do órgão da ONU.