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MUNDO
Quarta-feira, 07 de Julho de 2010, 21h:01

CAMPANHA DE SARKOZY

França abre investigação sobre doação

Os promotores da França abriram ontem uma investigação preliminar sobre as denúncias de que a herdeira do grupo de cosméticos L'Oreal, Liliane Bettencourt, 87, teria feito doações ilegais à campanha presidencial de Nicolas Sarkozy, em 2007. Sarkozy - e seu bloco de apoio da direita - nega que a campanha eleitoral tenha recebido os 150 mil euros (cerca de R$ 335 mil) em doações não declaradas de Bettencourt e criticou as alegações como uma campanha caluniosa para derrubá-lo. O escândalo financeiro da fortuna de Bettencourt vai além das doações e inclui denúncias de uma grande evasão fiscal de conhecimento do então ministro do Orçamento de Sarkozy, hoje na pasta do Trabalho, Eric Woerth. De todo jeito, o escândalo se aproxima perigosamente do presidente, que já enfrentou derrota nas urnas municipais, e ameaça seu governo conservador. Ontem, o escritório da Promotoria de Nanterre, um subúrbio de Paris, abriu uma nova investigação preliminar sobre as denúncias feitas por uma ex-contadora de Bettencourt, Claire Thibout. Thibout contou aos investigadores que o principal conselheiro financeiro da herdeira, Patrice de Maistre, deu os 150 mil euros em dinheiro para o amigo e tesoureiro da União do Movimento Popular (UMP, direita), Eric Woerth, em março de 2007. Sarkozy foi eleito dois meses depois. O financiamento é ilegal segundo a legislação francesa, que limita a 4.600 euros as doações a candidatos por pessoas físicas e determina que o repasse de verbas somente pode ser feito em espécie quando inferior a 150 euros. A ex-contadora também afirma que Sarkozy recebia regularmente envelopes com dinheiro de Bettencourt e de seu marido, André, quando ainda era prefeito de Neuilly-sur-Seine, município da região de Paris, de 1983 a 2002. O jornal francês "Le Monde" afirma que a polícia encontrou provas da retirada de 50 mil euros de um caixa automático, cujos dados correspondem com o valor supostamente recebido por Woerth. Woerth foi ministro de Orçamento por três anos e agora está à frente do Ministério do Trabalho como peça-chave do governo, a cargo da reforma do sistema de aposentadorias, uma das mais polêmicas implementadas pelo presidente. Ele também negou ter recebido dinheiro ilegal de forma veemente. "Nunca recebi no plano político o mínimo euro que não fosse legal". O ministro está envolvido também nos escândalos de evasão fiscal da fortuna de Bettencourt. Gravações feitas ilegalmente por um mordomo revelam conversas entre a herdeira e seus conselheiros financeiros, nas quais aparece o nome da mulher de Woerth, Florence, em conversa sobre operações financeiras para a herdeira da L'Oreal sonegar impostos. Os interlocutores dão a entender que o próprio Woerth estaria consciente das operações, a ponto de uma parte da fortuna de Bettencourt ser administrada, desde 2007, pela sua mulher. A oposição exige a renúncia de Woerth, que rejeita até o momento a pressão. Deputados socialistas defenderam terça-feira a criação de uma comissão parlamentar. O secretário-geral da UMP, Xavier Bertrand, declarou que não está surpreso com a investigação. A expectativa é que Sarkozy faça um pronunciamento sobre o escândalo no próximo dia 13.

Edição EDIÇÃO 16967




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