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MUNDO
Sábado, 26 de Fevereiro de 2011, 14h:09

CRISE NA LÍBIA

Filho de ditador ameniza e que irá negociar trégua

A rebelião na Líbia começou na semana passada, no leste, inspirando-se nas recentes revoltas que derrubaram as ditaduras do Egito e da Tunísia

Em entrevista a jornalistas levados a Trípoli sob escolta oficial, o filho do ditador líbio, Muammar Khadafi, tentou minimizar a extensão da rebelião que domina grande parte da Líbia, e disse que espera negociar ainda ontem uma trégua em duas cidades conturbadas. Saif al Islam Khadafi afirmou que os rebeldes que se renderem ficarão ilesos, e admitiu que a Líbia precisa de reformas. Seu relato sobre a situação, no entanto, parece ser desmentido pelo controle exercido nos últimos dias no leste do país por grupos que desejam o fim do regime de Khadafi, no poder desde 1969. Há relatos também de que a rebelião já chegou à capital e arredores. Mas o filho do ditador disse que só há violência em duas cidades do oeste da Líbia, e qualificou como "mentiras" os relatos da imprensa de que militares teriam bombardeado civis ou que o governo teria contratado mercenários. "Estamos rindo desses relatos. Exceto por Misurata e Zawiya, tudo está calmo (...). As negociações continuam, e estamos otimistas. Em Misurata e em Zawiya temos um problema", disse. "Estamos lidando com terroristas. Mas tomara que eles estejam ficando sem munição. Tomara que não haja mais derramamento de sangue. Ainda hoje (ontem) iremos resolver isso. O Exército decidiu não atacar os terroristas e dar uma chance para as negociações. Tomara que façamos isso pacificamente." A rebelião na Líbia começou na semana passada, no leste, inspirando-se nas recentes revoltas que derrubaram as ditaduras do Egito e da Tunísia. Depois de controlar Benghazi, segunda maior cidade do país, a oposição também parece ter assumido o poder em Misurata, a terceira maior cidade líbia, e em Zawiya, no oeste. Moradores dizem que as forças contrárias a Khadafi conseguiram conter os contra-ataques feitos pelo Exército. MORTOS Diplomatas internacionais afirmam que pelo menos 2.000 pessoas foram mortas por causa da repressão. O Conselho de Segurança da ONU começou a debater uma resolução segundo a qual os ataques a civis podem configurar crimes contra a humanidade. Vários governos ocidentais, inclusive dos EUA, já decidiram impor sanções a Trípoli. Numa característica de exibição de desafio, Khadafi, de 68 anos, apareceu na sexta-feira diante de milhares de seguidores na praça Verde, no centro da capital, para prometer que iria "esmagar qualquer inimigo."

Edição EDIÇÃO 16967




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