MUNDO
Terça-feira, 04 de Novembro de 2008, 20h:34
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ELEIÇÕES AMERICANAS
Filas e falhas marcam eleição nos EUA
Pelo menos 130 milhões de americanos participaram ontem da escolha do sucessor de George W. Bush, um número recorde para as eleições americanas
Enquanto milhões de americanos saíam de casa para votar nas eleições presidenciais, várias dezenas de pessoas já faziam fila nas portas do Grant Park, em Chicago, 12 horas antes de sua abertura para a festa eleitoral do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama. Nos últimos meses, Obama e sua campanha se destacaram pela organização e capacidade de não fazer nada superficialmente. Um exemplo desse empenho foi a escolha do Grant Park, que, segundo cálculos das autoridades, poderia receber até um milhão de pessoas. VOTAÇÃO Pelo menos 130 milhões de americanos participaram ontem da escolha do sucessor de George W. Bush, um número recorde para as eleições americanas. Se a estimativa de comparecimento de eleitores se confirmar, será superado o recorde de 2004, quando 126 milhões de americanos, ou 64% do total, votaram para presidente (o voto nos EUA não é obrigatório). Aconteceram alguns problemas, como urnas eletrônicas quebradas, papel emperrado nas impressoras de comprovantes de votação e grandes filas. Segundo previsões, os primeiros resultados preliminares começaram a ser divulgados a partir das 21h (meia-noite de ontem, no horário de Brasília), quando foi fechado boa parte dos centros de votação no litoral leste do país. Perto de 50% dos que compareceram às urnas ontem votaram sob um novo sistema - que para alguns pode confundir as pessoas. Há verdadeiros exércitos de advogados dos dois maiores partidos para monitorar os locais de votação, em busca de alguma eventual fraude ou intimidação. Aconteceram alguns problemas, como urnas eletrônicas quebradas, papel emperrado nas impressoras de comprovantes de votação e grandes filas. Segundo funcionários que trabalham nas eleições, não houve até o fim da noite nenhum problema sistêmico ou maior e os contratempos pareceram se relacionar mais ao grande número de pessoas que foi votar e usar um sistema que foi concebido para um número menor de participantes (o voto é facultativo nos EUA). Existem sete mil seções eleitorais no país. Após meses de campanha, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain se enfrentaram nas urnas para decidir quem assumirá o país em um momento histórico. A recuperação econômica, uma saída para as guerras do Afeganistão e do Iraque e assuntos internos como a reforma da educação e saúde pública serão alguns dos desafios do novo presidente, que chega após oito anos do impopular governo de Bush, um republicano. A maioria das pesquisas de opinião dá ao democrata uma vantagem de entre seis a oito pontos percentuais. No entanto, a eleição presidencial americana não se decide pela soma total dos votos populares, mas pela representação de cada um dos 50 Estados no Colégio Eleitoral, em proporção à população de cada um deles, somando um total de 538 delegados. Para ganhar a Casa Branca, um candidato deve ter no mínimo 270 votos no Colégio Eleitoral. As diversas pesquisas de opinião também atribuem ao candidato democrata uma vantagem substancial sobre o republicano nos votos do Colégio Eleitoral, mas mostravam um grupo de Estados ainda indecisos. Em Nova Jersey, eleitores tiveram que usar cédulas de papel porque urnas eletrônicas quebraram em algumas seções. Em Nova York, os eleitores enfrentaram longas filas para votar, disse a porta-voz do Conselho Eleitoral, Valerie Vázquez-Rivera. Segundo ela, as pessoas começaram a chegar às seções com antecedência, às 4h da madrugada (a abertura foi às 6h), para evitar filas, o que levou a relatos falsos de que alguns locais de votação não foram abertos no horário previsto. Na Virgínia, onde um candidato democrata não vence desde 1964, as impressoras travaram em muitas seções eleitorais e urnas eletrônicas também enguiçaram. Em Richmond, uma seção eleitoral em uma biblioteca não foi aberta no horário porque o cidadão que deveria trazer as chaves não conseguiu acordar na hora. Ohio, Estado onde ocorreram enormes problemas nas eleições de 2004, registrou desta vez, alguns contratempos, como travamento de impressoras no condado de Franklin. "Estamos resolvendo problemas desse tipo", disse Ben Piscitelli, porta-voz do Conselho Eleitoral local. "Mas não ocorre nada maior ou sistêmico".