MUNDO
Segunda-feira, 02 de Setembro de 2013, 21h:03
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EGITO
Ex-presidente Mursi será julgado
RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
O ex-presidente do Egito Mohamed Mursi, deposto há quase dois meses pelas Forças Armadas, será julgado ao lado de mais 14 pessoas sob a acusação de incitamento a assassinatos. A data do julgamento não foi anunciada. Mursi é acusado de envolvimento com a morte de sete manifestantes, em dezembro de 2012, quando houve uma série de protestos contra o governo no país. Desde sua destituição do poder em 3 de julho, o ex-presidente é mantido preso em local não divulgado pelos militares. Também foram detidos mais de 800 simpatizantes de Mursi ligados à entidade Irmandade Muçulmana. O líder supremo da irmandade, Mohamed Badie, que é mantido preso, também deverá ser julgado. Na relação de pessoas que serão julgadas ao lado de Mursi, estão Essam Al Ariane, que é o segundo do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, e Mohamed Beltagi, ex- parlamentar e um dos principais simpatizantes do ex-presidente. Uma comissão judicial criada pelo governo egípcio endossou ontem uma contestação legal ao status da Irmandade Muçulmana, em mais uma decisão das autoridades apoiadas pelos militares para esmagar o movimento ao qual pertence o presidente deposto pelo Exército em julho. Embora não tenha proposto o banimento formal da Irmandade, movimento integrado por milhões de pessoas e que atuou clandestinamente durante os governos egípcios anteriores, também apoiados pelos militares, a comissão pediu à Justiça que remova o status de ONG, ameaçando o futuro político do movimento. Um ataque a uma delegacia de polícia no centro do Cairo e planos da Irmandade de realizar protestos de massa na terça-feira mostram que ainda é instável a estabilidade que o governo interino diz ter estabelecido no país, após dois anos e meio de turbulência. Pelo menos 1.200 pessoas, na maioria islamistas partidários do presidente deposto Mohammed Mursi, foram mortas desde que o Exército assumiu o poder em 3 de julho. O governo acusa a Irmandade de terrorismo e incitação à violência, e prendeu os líderes do grupo.