MUNDO
Sábado, 02 de Junho de 2012, 21h:29
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MUBARAK
Ex-ditador é condenado à prisão perpétua
Os advogados de Hosni Mubarak informaram que irão apelar contra a condenação à prisão perpétua do ex-ditador do Egito pelas mortes de manifestantes
O ex-ditador do Egito Hosni Mubarak - que durante 30 anos governou o país com mão de ferro - passará o resto de seus dias sob custódia depois de ter sido condenado ontem à prisão perpétua pelo assassinato de manifestantes durante a revolução. Ex-ditador teve uma crise cardíaca ao chegar na prisão. Após dez meses de julgamento, Mubarak, com óculos escuros e em uma maca, ouviu impassível a sentença ditada pelo Tribunal Penal do Cairo, que o considerou culpado pelo assassinato dos participantes dos protestos que puseram fim a seu regime em fevereiro de 2011. Os advogados de Hosni Mubarak informaram que irão apelar contra a condenação à prisão perpétua do ex-ditador do Egito pelas mortes de manifestantes. PRAZO Desde ontem, os defensores de Mubarak têm 60 dias para apresentar um recurso à Justiça, disse à Efe Mahmoud Hashim, advogado de dois ex-assessores do Ministério do Interior que foram julgados com Mubarak sob a mesma acusação, mas acabaram absolvidos por falta de provas. Já Habib al Adli, ex-titular da pasta, foi condenado, assim como o ex-ditador, à prisão perpétua. Mubarak e seus dois filhos, Gamal e Alaa, foram absolvidos nos processos por crimes de corrupção. O ex-ditador chegou ao hospital da penitenciária de Tora, no sul do Cairo, depois que um tribunal o condenou à prisão perpétua. A agência de notícias estatal Mena informou que Mubarak foi levado de helicóptero à penitenciária após a última sessão de seu julgamento. No dia 12 de abril de 2011, Mubarak foi levado a um hospital de Sharm el Sheikh, cidade à qual se mudou após sua renúncia, por ter sofrido um ataque cardíaco durante um interrogatório sobre corrupção e violação dos direitos humanos em seu governo. Houve incidentes depois de lida a sentença, pelo que os agentes de segurança intervieram. O chamado "julgamento do século" no Egito começou em 3 de agosto de 2011, após a detenção de Mubarak e de seus filhos em abril desse mesmo ano na localidade litorânea de Sharm el-Sheikh. O processo, com um expediente de 60 mil páginas, se desenvolveu ao longo de 49 sessões, que, ao todo, somaram 250 horas, lembrou o juiz Ahmed Refaat. Centenas de policiais, apoiados por blindados do Exército, fizeram a segurança na frente ao Tribual Penal do Cairo. Dezenas de manifestantes partidários e opositores de Mubarak se concentraram no local para "acompanhar" o julgamento. Alguns dos simpatizantes do ex-presidente levaram retratos de Mubarak, que foi chefe do Estado egípcio durante três décadas. SEVERIDADE Durante três décadas, Mubarak governou o Egito - o país mais populoso do mundo árabe - com severidade, mas também com grandes doses de paternalismo, pelo que considerava os egípcios "filhos" que necessitavam de um "pai" forte que os guiasse. Nascido em 1928 no Delta do Nilo, tornou-se piloto de combate e em 1973 desempenhou um papel fundamental na guerra do Yom Kippur, contra Israel, como chefe da Força Aérea egípcia. Ocupou o cargo até 1975, quando o então presidente, Anwar el-Sadat, o nomeou seu vice-presidente. Em 1981, o assassinato de Sadat o alçou ao cargo de presidente. Desde então, Mubarak governou ininterruptamente o Egito, sem uma ideologia definida nem grande carisma, mas com habilidade para escapar de atentados e perpetuar-se no poder. Mubarak abraçou o legado de Sadat e quis se transformar no grande mediador do Oriente Médio, ao manter a paz com Israel, o que, junto à ajuda dos Estados Unidos, lhe permitiu livrar-se da reputação de estadista e se tornar o aliado do Ocidente na região.