O presidente boliviano, Evo Morales, pediu ontem para que a população defenda a democracia do país dias antes do referendo revogatório de mandatos, previsto para domingo. O chefe de governo qualificou ainda os protestos de grupos opositores como ditadura civil, logo depois de ser impedido de fazer campanha em quatro cidades comandadas pela direita. Grupos antigovernamentais impediram a visita de Evo a Santa Cruz e Beni na noite da quarta-feira, onde partidários do presidente haviam organizado um comício. Na quinta-feira, colocaram quatro tratores da prefeitura na pista de aterrissagem do aeroporto de Cobija, no departamento de Pando, para impedir a chegada de Evo, informou à Rádio Fides o dirigente dos professores da cidade, David Cruz. "Morales vem fazer promessas que não cumprirá," disse Cruz. Evo também não pôde ir à Tarija, no sul da Bolívia, onde manifestantes tomaram o aeroporto na terça-feira e impediram também a visita dos presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez à Tarija. Ao liderar o desfile militar no aniversário das Forças Armadas em Cochabamba, uma das cidades opositoras, Evo criticou os violentos protestos realizados nesta semana. "Lamento muito agora que as ditaduras de 1960 e 1970 estejam sendo substituídas por alguns grupos que tomam aeroportos, cortes departamentais eleitorais, que apedrejam carros de ministros", disse Evo durante o desfile.