MUNDO
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014, 20h:22
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HISTÓRICO
EUA e Cuba retomam relações diplomáticas
Além da retomada das negociações, os EUA amenizarão restrições sobre remessas, viagens e relações bancárias, e Cuba libertará 53 presos cubanos
RAUL JUSTE LORES
Da Folhapress - São Paulo e Washington
O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou ontem o início da normalização das relações com Cuba reconhecendo que a política de isolamento das últimas décadas fracassou nas últimas décadas. Entre as medidas estão a abertura da embaixada americana em Havana pela primeira vez em mais de meio século depois da libertação de um funcionário americano mantido preso na ilha por mais de cinco anos, disseram autoridades americanas ontem. A retomada das relações, rompidas em 1961, marca a mudança mais significativa da política americana em relação à ilha em décadas. Embora o embargo econômico ainda continue em vigor por enquanto, o governo indicou que gostaria que o Congresso amenizasse ou o levantasse se os legisladores optassem por isso. Em um acordo negociado durante 18 meses de negociações secretas promovidas amplamente pelo Canadá e encorajadas pelo papa Francisco, que abrigou um encontro final no Vaticano, o presidentes Barack Obama e Raúl Castro, de Cuba, concordaram em um telefonema em pôr de lado décadas de hostilidade para encontrar uma nova relação entre os EUA e a ilha, que fica a apenas 90 minutos da costa americana. Além da retomada das negociações, os EUA amenizarão restrições sobre remessas, viagens e relações bancárias, e Cuba libertará 53 presos cubanos identificados como prisioneiros políticos pelo governo americano. O anúncio foi feito em meio a uma série de novas medidas de construção de confiança entre os dois inimigos de longa data, incluindo as libertações do americano Alan Gross, preso em Cuba desde 2009, e de três membros do grupo Cinco Cubanos, presos na Flórida desde 1981. Segundo autoridades americanas, os espiões cubanos foram trocados por um funcionário da inteligência americana que estava detido havia mais de 20 anos. Tecnicamente, disseram, Gross não fez parte da troca, tendo sido solto separadamente por "questões humanitárias". PAPA EUA-CUBA O papa Francisco foi um dos principais intermediários do diálogo entre EUA e Cuba. O papa conversou com o presidente americano Barack Obama no Vaticano em março passado sobre a normalização das relações entre os dois países e ainda mandou cartas pedindo a liberação dos presos cubanos nos EUA e do americano Alan Gross em Cuba. "Quero agradecer particularmente à Sua Santidade, o papa Francisco, por demonstrar com seu exemplo moral, a importância de se lutar por um mundo como ele deveria ser, não como ele é", disse Obama em pronunciamento ontem.