MUNDO
Sábado, 17 de Agosto de 2013, 12h:44
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EGITO
EUA e aliados costuravam acordo para crise
O acordo de paz, que também incluía uma investigação sobre alegações de violência, deveria ter resultado em negociações entre o governo interino e a Irmandade
Estados Unidos e seus aliados europeus e do Golfo estiveram perto de obter um acordo de paz entre os simpatizantes do deposto presidente Mohamed Mursi e o exército egípcio há duas semanas, informou o jornal Washington Post. Com o acordo, os manifestantes pró-Mursi aceitariam abandonar seus acampamentos nas ruas em troca da promessa de não violência das autoridades, afirma o jornal, que cita Bernardino León, representante da União Europeia (UE) para o Egito. O acordo de paz, que também incluía uma investigação sobre alegações de violência, deveria ter resultado em negociações entre o governo interino e a Irmandade Muçulmana (movimento de Mursi), mas o ex-vice-presidente Mohamed ElBaradei aparentemente não conseguiu convencer o comandante do exército, o general Abdel Fatah al-Sisi, afirmou León ao Post. ElBaradei renunciou ao cargo na quarta-feira, dia em que o governou iniciou a violenta repressão aos manifestantes. A proposta de acordo surgiu após semanas de viagens ao Cairo e conversações entre diplomatas com León, o secretário de Estado adjunto americano William Burns, além dos ministros das Relações Exteriores do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. "Era um pacote bastante simples que os quatro apoiavam", disse León. Os dois países do Golfo, ao lado da Arábia Saudita e do Kuwait, enviam mais dinheiro para o Egito que os Estados Unidos, destacou uma fonte do governo ao jornal. O Catar emergiu como o país que lidera o apoio à Irmandade Muçulmana, segundo o jornal. "É natural que tenhamos uma relação com estes países porque são os que estão participando, os que têm fortes relações com o Egito", afirmou uma fonte do governo americano que pediu anonimato. O presidente americano, Barack Obama, cancelou os exercícios militares conjuntos, mas não suspendeu a ajuda anual de US$ 1,3 bilhão ao Exército egípcio. MORTES Os confrontos entre as forças de segurança e manifestantes islamitas deixaram nas últimas 24 horas 173 mortos no Egito, após a convocação dos partidários do presidente deposto Mohamed Mursi para uma "sexta-feira da ira", informou o Ministério da Saúde egípcio ontem. O ministério disse ainda que 1.330 pessoas ficaram feridas em todo o país, com 596 feridas nos confrontos no Cairo. Sharif Shawky, porta-voz do governo, afirmou que das 173 vítimas fatais, 95 morreram no Cairo e 25 na Alexandria, segunda maior cidade do país. O balanço inclui os mortos registrado da tarde de sexta-feira até 10h (5h de Brasília) de sábado. Nos últimos três dias, 57 policiais morreram, segundo o porta-voz do governo, que não informou se estes óbitos estão incluídos entre as 173 vítimas fatais. Na quarta-feira, as forças de segurança do governo militar interino do Egito realizarm uma ofensiva contra acampamentos de manifestantes da Irmandade Muçulmana e apoiadores de Mohamed Mursi, o primeiro presidente democraticamente eleito da história do país e deposto no último dia 3 de julho. As ações policiais deixaram 638 mortos e 3.994 feridos, segundo balanço oficial. Também ontem, o primeiro-ministro egípcio, Hazem el-Beblawi, propôs a dissolução legal da Irmandade Muçulmana e o governo está estudando a ideia, disse Shawky. Beblawi fez a proposta ao ministro de Assuntos Sociais - Ministério responsável por licenciar entidades não-governamentais. A Irmandade foi dissolvida pelo regime militar do Egito em 1954, mas se registrou como uma organização não-governamental em março, em resposta a um processo legal movido por opositores do grupo que contestavam sua legalidade. Fundada em 1928, a Irmandade também tem um braço político legalmente registrado, o Partido Liberdade e Justiça, estabelecido em 2011, depois da revolta que levou à deposição do ex-líder autocrático Hosni Mubarak. "A reconciliação está aí para aqueles cujas mãos não estão sujas de sangue", disse Shawky.