Potências e Irã concordaram que capacidade nuclear do país será limitada. Em troca, sanções dos EUA e da União Europeia serão suspensas.
A Casa Branca disse ontem que os detalhes sobre quando e quão rapidamente as sanções ao Irã serão retiradas ainda precisam ser resolvidos em negociações futuras e lembrou que o governo do presidente Barack Obama é contra retirar as punições no mesmo dia em que um possível acordo com o Irã entrar em vigor. Na última quinta-feira, o grupo 5+1 - integrado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, China, França) e a Alemanha - concordaram com o Irã que a capacidade nuclear deste país será limitada. Em troca do cumprimento do acordo, que será negociado até o final de junho, as sanções dos EUA e da UE relacionadas à questão nuclear e aplicadas contra o Irã serão suspensas. "Os detalhes da remoção das sanções ainda não foram acordados", disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest a jornalistas. "É uma visão forte do governo de que não seria sábio... simplesmente tirar as sanções no primeiro dia." O acordo alcançado na última quinta-feira por Irã, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, China e Rússia restringe as pesquisas nucleares irianianas por pelo menos uma década e gradualmente retira sanções impostas pelo Ocidente ao país. Corrida armamentista Segundo disse o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, o acordo preliminar não levará a uma nova corrida armamentista, rebatendo declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Netanyahu disse que um acordo final baseado nos termos fechados na cidade suíça de Lausanne ameaçaria a sobrevivência de seu país e aumenta o risco de uma proliferação nuclear no Oriente Médio. Mas Lavrov, cujo país participou das negociações em Lausanne, disse: "Não há motivos para uma corrida armamentista." E acrescentou: "O Irã será um dos país mais checados e inspecionados se os princípios acordados em Lausanne forem transferidos para a linguagem de acordos práticos." As declarações de Lavrov foram feitas em entrevista a Dmitry Kiselyov, chefe da organização estatal de notícias Segodnya. Em trechos da entrevista publicados pela agência de notícias russa RIA, Lavrov culpa os Estados Unidos e a Europa pelos atrasos na obtenção de um acordo na semana passada. Ele também disse que o fim das sanções vai ajudar a Rússia, porque vai permitir que o Irã pague integralmente pelos acordos com a agência nuclear russa Rosatom.