MUNDO
Sexta-feira, 19 de Julho de 2013, 20h:28
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SEGURANÇA
Estilo do papa e protestos geram apreensão
Apesar do receio de protestos, o papa Francisco vai desfilar pelas ruas do centro Rio no final da tarde, logo após desembarcar no Base Aérea do Galeão
A escolha do papa Francisco em dispensar o papamóvel blindado na Jornada Mundial da Juventude, em meio à expectativa de protestos durante o evento que começa na próxima terça-feira no Rio de Janeiro, criam um dilema para as autoridades responsáveis pela segurança do pontífice, forçando-as a adaptar suas medidas preventivas. A programação de chegada do papa Francisco ao Rio de Janeiro, na próxima segunda-feira, foi alterada para incluir na programação oficial um percurso em carro aberto pelas ruas do centro da cidade. Pelo novo roteiro, o papa desembarcará na Base Aérea do Galeão, às 16h, e vai em carro fechado até a Catedral Metropolitana, na Avenida Chile. Na última quinta-feira, o general José Abreu, coordenador de segurança das Forças Armadas, disse em entrevista coletiva que a escolha do papa será respeitada, mas "não é nada agradável" para a segurança, ante o perigo de algum "ato hostil" na jornada, que deve atrair um público estimado em até 2,5 milhões de pessoas. O papa deve usar carros fechados para se deslocar por distâncias longas, mas a expectativa é de que um carro aberto - o mesmo usado na Praça São Pedro, no Vaticano - seja usado por ele para circular no Rio de Janeiro em alguns momentos da Jornada. DESAFIOS A combinação de fatores traz grandes desafios aos quase 18 mil agentes (entre membros das Forças Armadas, da Polícia Federal e da PM) que farão a segurança do evento, dizem especialistas. O Comando do 1º Distrito Naval treinou na tarde de ontem 150 militares para apoiar a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no complexo naval da Ilha do Governador, zona norte do Rio, e no navio-patrulha Macaé, fundeado na Baía de Guanabara. A finalidade dos exercícios foi demonstrar a capacidade das equipes de operações especiais da Marinha em atender às demandas de segurança do evento. Mas há medidas viáveis para minimizar os riscos: haverá agentes de inteligência à paisana no meio da multidão. E cordões de isolamento ou barreiras de policiais podem ser usados em pontos de grande aglomeração ou para proteger o papa em caso de hostilidades, explicam os analistas. Para Hugo Tisaka, consultor em segurança, talvez o cordão desagrade os planos do papa, por mantê-lo distante das multidões. Mas ele acha que, se o pontífice decidir ter contato físico direto com seus fiéis, deve fazê-lo apenas em momentos previamente combinados com os agentes de segurança. "Isso minimiza problemas e permite o planejamento prévio", como, por exemplo, a adoção de mais agentes à paisana em determinados pontos do percurso, explica Tisaka. ALERTA VERMELHO Na terça-feira, a Abin (agência brasileira de inteligência) informou que há um "alerta vermelho" para protestos de "grupos de pressão" (espontâneos) e um "alerta laranja" para os movimentos "reivindicatórios" (organizados por categorias profissionais ou sociais), algo que fez o esquema de segurança do papa ser revisto pelas autoridades. Após manifestações na zona sul do Rio terem resultado em violência e depredação nesta semana, foi anunciado que será proibida a entrada de pessoas usando máscaras na área onde o pontífice rezará a missa de encerramento da Jornada, no dia 28 de julho, no bairro de Guaratiba (zona oeste do Rio). Os especialistas lembram também que tropas aquarteladas do Exército podem ser mobilizadas se necessário. Além disso, dois helicópteros militares sobrevoarão o papa durante seu percurso no Rio.