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MUNDO
Sábado, 18 de Setembro de 2010, 11h:55

AFEGANISTÃO

Eleições são marcadas com muita violência

Os talebans ameaçaram executar ataques durante a votação, em particular contra as forças de segurança e os funcionários que trabalham nos locais de votação

As eleições parlamentares no Afeganistão começaram em meio a tensão no caminho dos afegãos rumo às urnas ontem. A semana foi marcada por ameaças de atentados dos talebans que já se confirmaram nas primeiras horas do dia. Ao menos 16 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em diferentes ataques registrados ontem, durante o dia da votação no Afeganistão, onde os talebans garantem ter atacado 150 sessões eleitorais como parte do boicote ao pleito parlamentar. Além disso, Toryalai Wisa, o governador da província de Kandahar (sul), reduto dos talebans, anunciou ter escapado da explosão de uma bomba na passagem de seu veículo. Durante a madrugada, um foguete foi disparado contra o centro de comando da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em Cabul, horas antes da abertura das urnas para as eleições legislativas no Afeganistão, informou uma porta-voz da Aliança Atlântica. O ataque não causou vítimas. Na sexta-feira, os talebans sequestraram 19 pessoas - um candidato às eleições legislativas, 10 partidários de outro candidato e oito funcionários da comissão eleitoral - pondo em prática sua ameaça de realizar atentados contra a votação ontem, o que fez as forças de segurança permanecer em alerta máximo. EXPULSÕES Os islamitas, alçados em armas desde o final de 2001 quando foram expulsos do poder por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, reivindicaram o sequestro de Hayat, segundo mensagem de texto enviado a um jornalista da AFP pelo porta-voz Zabihulah Mujahid. Os talebans ameaçaram na quinta-feira executar ataques durante a votação, em particular contra as forças de segurança e os funcionários que trabalham nos locais de votação. Também defenderam o boicote às eleições e convocaram a "guerra santa e resistência" contra os "invasores estrangeiros". O presidente Hamid Karzai, no entanto, pediu na sexta-feira aos afegãos que não deixem de votar. A campanha eleitoral foi paralela à da intimidação. Pelo menos três candidatos foram mortos nas últimas semanas e dezenas de ataques foram cometidos contra simpatizantes de diversas correntes políticas. Os civis são as principais vítimas do conflito, enquanto as forças internacionais já registraram mais de 500 mortos desde o início do ano, contra 521 em todo 2009. O panorama da violência não mudou, apesar do envio nos últimos meses de 30.000 soldados adicionais por Washington. A poucos dias das eleições, 3.000 títulos eleitorais falsos, produzidos no Paquistão, foram apreendidos na província de Ghazni. Para tentar evitar fraudes, os eleitores terão que marcar o dedo com tinta indelével. Os resultados oficiais definitivos devem ser divulgados apenas no dia 31 de outubro.

Edição EDIÇÃO 16960




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