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MUNDO
Quinta-feira, 02 de Julho de 2015, 19h:20

SAQUEADORES

EI saqueia sítios arqueológicos

Os militantes do Estado Islâmico estão saqueando sítios arqueológicos na Síria e no Iraque em escala industrial e vendendo seus tesouros a intermediários para levantar fundos, disse Irina Bokova, chefe da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês), ontem. Um quinto dos cerca de 10 mil sítios históricos iraquianos oficiais foram controlados e pilhados pelo Estado Islâmico, e não se sabe ao certo o que está acontecendo em “milhares” de outras áreas, alertou Irina durante uma reunião de especialistas em Londres. Alguns sítios da Síria foram saqueados de forma tão ostensiva que já não têm mais nenhum valor para historiadores e arqueólogos, e a Unesco também está cada vez mais preocupada com a Líbia, declarou ela. O auto-declarado califado do Estado Islâmico contém alguns dos mais valiosos tesouros arqueológicos do mundo em uma região onde os antigos impérios assírios construíram suas capitais, a civilização greco-romana floresceu e seitas muçulmanas e cristãs coexistiram durante séculos. Os militantes, cuja interpretação salafista radical do islamismo enxerga a veneração de tumbas e vestígios não-muçulmanos como idolatria, também publicaram vídeos de si mesmos destruindo artefatos. “A destruição deliberada, que estamos vendo atualmente na Síria e no Iraque, alcançou níveis inéditos na história contemporânea”, declarou Irina ao Instituto Real de Serviços Unidos (Rusi, na sigla em inglês) em Londres. “Esta destruição deliberada não só continua, mas está acontecendo de forma sistemática. A pilhagem de sítios arqueológicos e museus, particularmente no Iraque, chegou a uma escala industrial de destruição”. Estatua destruída - O grupo destruiu a famosa estátua do Leão Alat (deusa-mãe de Palmira) que estava na entrada do museu de Palmira, informou nesta quinta-feira (2) à agência France Presse o diretor-geral do Departamento de Antiguidades e Museus da Síria. Os jihadistas controlam a cidade de Palmira (centro), lar de antigas ruínas mundialmente famosas e declaradas pela Unesco como patrimônio mundial, desde o final de maio. "Os membros do EI destruíram no sábado o Leão de Alat, uma peça única de três metros de altura e 15 toneladas. É o mais grave dos crimes cometidos por jihadistas contra o patrimônio de Palmira", informou Mamun Abdelkarim. "Ela havia sido coberta com uma placa de aço e cercada por sacos de areia porque queríamos protegê-la contra os bombardeios, mas não pensávamos que o EI chegaria à cidade para destruí-la", acrescentou. Desde a tomada da cidade, a comunidade internacional teme que o EI destrua inúmeros tesouros arqueológicos da parte antiga, chamada de "Pérola do deserto da Síria", como fez o grupo sunita ultrarradical nos últimos meses no Iraque. Outras estátuas foram destruídas Além disso, o EI anunciou nesta quinta que também havia destruído várias estátuas de Palmira apreendidas de um contrabandista que as transportava para a província de Aleppo (norte). "Um posto de verificação do EI em wilayat [província] de Aleppo prendeu uma pessoa que transportava várias estátuas de Palmira. O culpado foi levado perante o tribunal islâmico da cidade de Menbej (leste de Aleppo), que decidiu punir o traficante e destruir as estátuas", afirmou o EI em um comunicado. O texto é acompanhado por fotos das estátuas sendo destruídas e contrabandista chicoteado.

Edição EDIÇÃO 16965




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