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MUNDO
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012, 22h:02

VIOLÊNCIA

Dois atentados deixam mais de 50 mortos

Nações Unidas e os membros do Conselho de Segurança da organização consideraram "atrozes" os ataques. Oposição síria nega envolvimento em atentados em Damasco

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, e os membros do Conselho de Segurança da organização consideraram "atrozes" os atentados que aconteceram ontem na Síria. Pelo menos 55 pessoas morreram em duas explosões na capital Damasco. "Os membros do Conselho de Segurança condenam nos termos mais enérgicos os ataques terroristas ocorridos em Damasco e que causaram numerosos mortos e feridos". Além da condenação, o conselho pediu o cumprimento das resoluções do plano de paz proposto pelo enviado especial da organização, Kofi Annan, ao governo e à oposição do país árabe. A ONU também pede respeito à missão de observadores, que percorre o país desde abril. Mais cedo, o embaixador sírio na organização, Bashar Jafari, informou ao Conselho de Segurança que houve um atentado similar ao ocorrido em Damasco na cidade de Aleppo, no norte do país, ao mesmo tempo que acontecia a ação na capital síria. De acordo com o representante do regime sírio, o ataque causou "vítimas civis e danos enormes sobre propriedades privadas". Segundo Jafari, as ações foram organizadas "pelo mesmo grupo responsável por atentados em Nova York, Madri e Londres", em referência à rede terrorista Al Qaeda. Os ataques ocorreram às 8h locais (2h de Brasília) de forma quase simultânea na zona de Qazzaz, no sul de Damasco, quando "as pessoas se dirigiam ao trabalho e as crianças entravam na escola", afirmou a televisão estatal. Os atentados foram praticados diante de um edifício de nove andares no qual se localiza um escritório dos serviços de inteligência. Trata-se "de um dos ataques mais violentos na Síria desde o início da revolta", indicou o OSDH (Observatório Sírio de Direitos Humanos). Pouco depois das explosões, o emissário da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, condenou os "inaceitáveis" atentados de Damasco. Como ocorre desde o início da revolta na Síria, a rede de televisão pública acusou os "terroristas", referindo-se aos opositores ao regime de Bashar al Assad, de terem cometido estes atentados, enquanto o CNS (Conselho Nacional Sírio), principal coalizão da oposição, apontou Assad como responsável pelos ataques. "O regime comete estes ataques para enviar duas mensagens: dizer aos observadores internacionais que estão em perigo e dar força aos seus argumentos sobre a presença de grupos armados e da Al-Qaeda na Síria", declarou Samir Nachar, um dos dirigentes do CNS. "Infelizmente, a lentidão da comunidade internacional no caso sírio dá mais tempo ao regime para cometer estes atos", lamentou. No local dos atentados, os corpos destroçados se misturavam aos automóveis destruídos e aos escombros provocados pela forte explosão, que criou uma cratera de três metros de profundidade no solo e deixou vários edifícios praticamente destruídos. Os serviços de emergência, ajudados pelos vizinhos, retiravam os cadáveres carbonizados dos restos dos veículos, ainda fumegantes. "Esta é a liberdade que vocês querem? Crianças que iam à escola e funcionários que iam aos seus empregos morreram", gritava um vizinho, atordoado em meio ao espetáculo desolador. NEGA O CNS (Conselho Nacional Sírio), principal grupo opositor no exílio, considera que os atentados de ontem na periferia de Damasco beneficiam o regime de Bashar al-Assad, disse à Agência Efe um porta-voz desta organização, Emad Hosari. "O CNS nega qualquer implicação nos atentados e pede uma investigação", afirmou em uma conversa por telefone o porta-voz opositor. Hosari reiterou: "Estes atentados servem ao regime sírio, que é quem mais se beneficia deles". Hosari lembrou que "desde o primeiro momento o regime sírio dirigiu suas ofensivas contra civis", e explicou que a intenção de Damasco é dissuadir os observadores da ONU desdobrados no país de fazerem seu trabalho. Anteontem, uma bomba explodiu durante a passagem do comboio dos observadores na cidade de Deraa, sem causar vítimas entre eles, embora vários soldados sírios tenham ficado feridos. A equipe internacional se encontra na Síria para verificar o cumprimento do plano de paz da ONU, que estipula, entre outros pontos, um cessar-fogo, em vigor desde 12 de abril.

Edição EDIÇÃO 16960




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