MUNDO
Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2012, 22h:58
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ECONOMIA
Dilma reage a crítica de revista britânica
Presidente disse que não se deixará influenciar pela opinião de uma revista estrangeira e destacou que a situação nos países desenvolvidos é mais grave que a nossa
DANILO MACEDO e RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
A presidente Dilma Rousseff rebateu ontem o artigo da revista britânica The Economist, que sugere a demissão da equipe econômica brasileira, sob comando do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Dilma disse que não se deixará influenciar pela opinião de uma revista estrangeira e destacou que a situação nos países desenvolvidos é mais grave do que a do Brasil. Em hipótese alguma, o governo brasileiro, eleito pelo voto direto e secreto do povo brasileiro, vai ser influenciado pela opinião de uma revista que não seja brasileira, disse a presidente, antes do almoço oferecido aos participantes da Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul, no Itamaraty. Segundo Dilma, o Brasil cresceu 0,6% no último trimestre e crescerá mais no próximo, o que não motiva a recomendação da revista. Não vi, diante dessa crise gravíssima pela qual o mundo passa, com países tendo taxas de crescimento negativas, escândalos, quebra de bancos, quebradeiras, nenhum jornal propor a queda de um ministro. Ao ser perguntada se a situação dos demais países era pior que a do Brasil, a presidente foi enfática. Vocês não sabem que a situação deles é pior que a nossa? Pelo amor de Deus!, disse ela. Nenhum banco, como o Lehman Brothers, quebrou aqui. Nós não temos crise de dívida soberana, a nossa relação dívida/PIB é de 35%, a nossa inflação está sobre controle, nós temos 378 bilhões de dólares de reserva. IMPRENSA A presidente reafirmou que é favorável à liberdade de imprensa, apesar de divergir do conteúdo publicado em alguns veículos. A reação de Dilma à publicação britânica ocorre em meio a discussões sobre regulação dos meios de imprensa na Argentina e no Equador, países cujos presidentes, Cristina Kirchner e Rafael Correa, respectivamente, estavam presentes nas reuniões de ontem. Eu sou a favor da liberdade de imprensa. Não tenho nenhum senão sobre o direito de qualquer revista ou jornal dizer o que quiser, ressaltou a presidente. Para ela, a reação da revista britânica pode ter sido motivada pela queda dos juros no Brasil. [Será que] tudo isso se dá porque os juros caíram no Brasil? Os juros não podiam cair aqui? Aqui tinha que ser o único, como dizia um economista antigo nosso [Delfim Netto], ou o último peru de Ação de Graças?, acrescentou a presidente, referindo-se à hipótese de o Brasil só ter condições de baixar os juros quando todos os países da região já tivessem feito.