MUNDO
Quinta-feira, 01 de Agosto de 2013, 21h:09
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URUGUAI
Deputados votam e aprovam legalização da maconha
Após mais de 11 horas de discussão, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou, por 50 votos de um total de 96, o projeto sobre controle e regulamentação da importação, produção, aquisição, do armazenamento, da comercialização e distribuição da maconha e seus derivados. A proposta agora segue para votação no Senado. Se aprovada, o Uruguai será o primeiro país em que o Estado controlará a produção e a venda da droga. O projeto de lei foi aprovado pelo partido Frente Ampla, que apoia o governo, com maioria na Câmara. O bloco oposicionista rechaçou a proposta de legalização da maconha do presidente uruguaio, José Pepe Mujica, que classificou o projeto como uma iniciativa para tirar clientes do narcotráfico, uma atividade que considera pior que a droga. Se o projeto for aprovado no Senado, será criado o Instituto de Regulação e Controle da Maconha para regulamentar o cultivo, o consumo e a venda da droga. O órgão também estabelecerá um registro voluntário de consumidores, que poderão adquirir até 40 gramas de maconha por mês. Também será permitido o cultivo para consumo próprio com um máximo de seis plantas por pessoa e 480 gramas por colheita. VANGUARDA O projeto de legalização da maconha deixa o país na "vanguarda" da questão da maconha, afirmou nesta quinta-feira o presidente José Mujica, promotor da iniciativa. "Isto tem o caráter de uma batalha em todos os terrenos (...) Em nenhuma parte do mundo a repressão deu resultado", afirmou Mujica em seu programa de rádio "Fala o presidente", no qual também criticou o tráfico de drogas, que gera "lucros capaz de corromper tudo". "Nós queremos parar com esta coisa na fronteira, onde tem início o vício pelas drogas. Não é fácil porque não temos uma receita. Temos consciência de que estamos fazendo uma experiência de vanguarda no mundo inteiro". Mujica defendeu mais uma vez o projeto, indicando que é uma tentativa de tirar o mercado da clandestinidade. Ele também descartou o fato de a maior parte de seu projeto não receber o apoio de uma parte maior de "uma população envelhecida". "É uma batalha pela saúde pública porque, se o consumidor for identificado, podemos interferir quando ele começar a passar dos limites", explicou.