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MUNDO
Terça-feira, 22 de Novembro de 2011, 19h:19

CONFLITO EGÍPCIO

Cúpula aceita a renúncia de gabinete

Husein Tantaui, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas aceitou oficialmente a renúncia do atual gabinete e confirmou eleições para domingo

O chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, Husein Tantaui, disse ontem na TV estatal egípcia que aceita oficialmente a renúncia do atual gabinete e reiterou que as eleições parlamentares, previstas para terem início no dia 28, estão mantidas, acrescentando ainda que o pleito presidencial deve ocorrer até junho de 2012. Falando após três dias de intensos confrontos que deixaram ao menos 33 mortos e 1.700 feridos, quando milhares de manifestantes voltaram à praça Tahrir, no centro do Cairo, para exigir o fim do governo de transição, Tantaui disse que os militares não querem governar o Egito. No entanto, o cenário político egípcio ainda é cheio de incertezas e ainda há uma série de obstáculos até que a junta militar deixe, de fato, seu controle sobre o país, e exerça somente funções tradicionais da Defesa. As eleições parlamentares que terão início na próxima semana têm previsão de duração de até março, e a formação de um novo Parlamento e gabinete, com as eleições presidenciais ocorrendo até junho, devem levar mais tempo. De acordo com as Forças Armadas, com a saída do atual governo liderado pelo premiê Essam Sharaf, um novo governo de união ficará no poder até que os processos eleitorais estejam finalizados e o governo eleito esteja montado. Além disso, Tantaui propôs que as Forças Armadas abandonem qualquer tipo de controle sobre o poder Executivo somente se o povo egípcio votar a favor disso num referendo - embora uma data para a consulta popular não tenha sido anunciada. PODER E REFERENDO - Os militares estão "completamente prontos para entregar imediatamente a responsabilidade e retornar a sua missão original de proteger a nação se é isso que a nação quer, via um referendo popular", disse. Um referendo já está previsto para ocorrer no país após o novo Parlamento redigir uma Constituição. Tantaui não deixou claro se a consulta sobre o papel das Forças Armadas integrará o mesmo voto ou se um segundo referendo será realizado. "Somos as Forças Armadas, e nosso objetivo é proteger a população sem diferenças. Estamos sempre com as pessoas e não contra as pessoas, mas rejeitamos completamente os esforços de nos denegrir", afirmou. Na praça Tahrir, os manifestantes não receberam bem o discurso e mantiveram intensos protestos, afirma a CNN. Segundo a emissora, as lideranças dos protestos exigiam um pedido de desculpas pelas mortes ocorridas durante a repressão dos últimos quatro dias. GOVERNO DE UNIÃO - A junta militar e os partidos políticos egípcios chegaram nesta terça-feira um acordo para a formação de um "governo de salvação nacional", após uma reunião entre as principais legendas e o vice-presidente do Conselho Supremo das Forças Armadas, Sami Anan. O novo governo deverá comandar o país até a eleição presidencial, que deverá ser realizada até o final de junho de 2012. "A eleição presidencial será realizada no final de junho e as preparações finais para a transferência de poder ocorrerão em 1º de julho", disse à agência Reuters o líder do partido ultraconservador Nour, Emad Abdel Ghafour, acrescentando que ele acredita que o pleito presidencial ocorrerá no dia 20 de junho. "Nós concordamos que julho é o mês para transferir o poder para um presidente civil", acrescentou Abdel Ghafour. Uma junta militar governa o país desde fevereiro deste ano, quando o regime do ditador Hosni Mubarak caiu. O candidato presidencial Mohammed Selim al Awa, que participou do encontro ontem, disse à agência estatal de notícias Mena que o governo terá a missão de atingir os objetivos da revolução de 25 de janeiro.

Edição EDIÇÃO 16967




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