MUNDO
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008, 19h:53
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Cruz Vermelha pede às Farc para visitar Betancourt
O chefe da Cruz Vermelha na Venezuela, Guy Mellet, pediu ontem para que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) autorizem a visita de uma equipe médica à ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt. Mellet disse à emissora Globovisión que o órgão está "muito preocupado" com o estado de saúde de Ingrid, que é bastante delicado, segundo os quatro ex-congressistas libertados quarta-feira pelas Farc. Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, foi seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002 pelas Farc, que "se irritaram" com ela, de acordo com o ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, um dos libertados esta semana. Pérez, que várias vezes dividiu o cativeiro com Ingrid, disse que a viu pela última vez em 4 de fevereiro. "Ela está muito mal", talvez "pior" que do que estava na foto divulgada em dezembro como prova de sobrevivência, na qual aparece muito magra e abatida. Ingrid tem um "problema recorrente de fígado", e está "mal física e moralmente", acrescentou o ex-senador, entregue pelas Farc à Venezuela e a uma comissão da Cruz Vermelha, junto com os também ex- parlamentares Gloria Polanco, Orlando Beltrán Cuéllar e Jorge Eduardo Gechem Turbay. Tentativa de fuga - Segundo Pérez, os rebeldes consideram Ingrid uma "burguesa" e desde uma tentativa de fuga, em 2005, obrigam-na a andar descalça pela selva e a dormir acorrentada em árvores. As revelações foram feitas na quinta numa entrevista concedida à rádio colombiana Caracol. "As condições de reclusão são as de um campo de concentração", disse. "Fui hostilizado pela guerrilha porque fui contestador desde o início. Ingrid fez o mesmo com valentia excepcional." Companheiro de Ingrid na fuga frustrada, ele contou detalhes do episódio, que havia sido revelado por outros ex-reféns. A fuga foi idéia de Ingrid. Ela foi planejada inicialmente para 20 de julho de 2005, mas foi antecipada porque os guerrilheiros começaram a cercar o acampamento com arame farpado. "Era naquele momento ou nunca mais", afirmou Pérez. Os dois reféns levaram consigo torrões de açúcar e bolachas. Por cinco dias atravessaram rios e dormiram com a roupa molhada. "Ingrid percebeu que eu estava mal. Falhei diante da imensa capacidade dela de enfrentar aquela situação", disse Pérez. Segundo ele, a ex-senadora era hábil em pescar e fazer fogo.