Os índices recordes de crescimento econômico registrados nos países mais pobres do mundo não conseguiram evitar o aumento do número total de miseráveis, afirmou ontem a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). A disparada do preço dos alimentos ameaça minar os avanços modestos eventualmente realizados, e três quartos dos moradores dos países menos desenvolvidos (LDCs) continuam sobrevivendo com menos de 2 dólares por dia, afirmou o órgão em um relatório. Uma renda de menos de 2 dólares por dia não permite que uma pessoa satisfaça suas necessidades básicas de comida, água, moradia, saúde e educação, afirmou o Relatório 2008 sobre os Países Menos Desenvolvidos. Os 49 LDCs registraram crescimentos recordes de 7,9 por cento em 2005, de 7,5 por cento em 2006 e de, segundo estimativas, 6,7 por cento em 2007, disse o documento. Mas as altas taxas de expansão da economia, resultado em muitos casos da alta dos preços de combustíveis e minérios, pode não ser sustentável, afirmou o relatório. "Quando se analisa o que ocorria dez anos atrás, metade dos LDCs experimentou uma desindustrialização, que se manifesta em uma queda da participação dos produtos manufaturados no PIB (Produto Interno Bruto)."