O corpo vem para o Brasil, onde novamente será velado e enterrado. Indonésia defende execuções como parte de sua guerra contra as drogas
O corpo do brasileiro Rodrigo Gularte, executado na Indonésia na madrugada de quarta-feira tarde de terça-feira no Brasil , foi velado ontem em um hospital em Jacarta. O corpo foi levado para o Hospital Saint Carolus, na capital do país. Uma foto do brasileiro e uma cruz com seu nome e a data de seu nascimento e de sua morte estavam ao lado do caixão. O corpo vem para o Brasil, onde será enterrado, a pedido do próprio Gularte. Ele será velado novamente e sepultado em Curitiba. DEFESA O procurador-geral da Indonésia, Muhammad Prasetyo, defendeu ontem a execução dos estrangeiros condenados à morte por crimes relacionados com as drogas, afirmando que o país enfrenta uma "guerra" contra o tráfico. "Estamos lutando uma terrível guerra contra os crimes relacionados às drogas que ameaçam a sobrevivência da nossa nação", disse Muhammad Prasetyo. ANISTIA A Anistia Internacional classificou ontem de "reprovável" a execução de oito condenados na Indonésia, denunciando como total falta de consideração pelo processo legal e salvaguarda dos direitos humanos. A organização lembrou que as execuções ocorreram apesar de pelo menos dois recursos terem sido aceitos pelos tribunais locais e lamentou que os pedidos de clemência tenham sido rejeitados. "As execuções são totalmente reprováveis. Foram feitas com uma total falta de consideração pelas salvaguardas reconhecidas internacionalmente para o recurso à pena de morte", disse o diretor da Anistia para a Ásia-Pacífico, Rupert Abbott. Segundo a organização, vários condenados não tiveram acesso a advogados competentes ou intérpretes durante a detenção e na fase inicial do julgamento. A Anistia denunciou também que um dos condenados, o brasileiro Rodrigo Gularte, foi executado ainda que tenha sido diagnosticado com esquizofrenia, sendo que a lei internacional "claramente proíbe" o recurso à pena de morte para pessoas com incapacidades mentais. LINHA DURA As execuções dos oito condenados reforçam a linha dura do governo da Indonésia contra as drogas todos cometeram crimes relacionados ao tráfico de drogas. A posição do país é criticada pelas Nações Unidas e por organizações de direitos humanos. Além do brasileiro, foram fuzilados dois australianos, quatro nigerianos e um indonésio.