MUNDO
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010, 20h:59
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COREIA DO NORTE
Conselho da ONU estuda novas sanções
Um cientista americano da Universidade de Stanford informou à Casa Branca ter visitado uma grande e nova usina nuclear na Coreia do Norte
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) está estudando uma forma de responder à descoberta de uma nova e moderna usina de enriquecimento de urânio na Coreia do Norte, assim como o ataque do país asiático à vizinha Coreia do Sul, que deixou quatro mortos. A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, se reuniu ontem com o poderoso grupo de 15 membros, incluindo o Brasil, sobre a possibilidade de novas sanções contra o regime comunista. Os EUA são um dos cinco países com cadeira permanente e direito a veto. Ela disse ainda que as preocupações do conselho com as atividades nucleares da Coreia do Norte foram ressaltadas pelo ataque da semana passada à ilha sul-coreana de Yeonpyeong, que deixou ainda dezenas de casas queimadas e milhares de moradores fugindo em pânico. Dois marinheiros sul-coreanos e dois civis foram mortos no bombardeio. Rice disse que os EUA e outros membros do Conselho fizeram consultas com a China, outro membro permanente do conselho, e outros países da região. "Nós esperamos que a China atue como uma líder responsável para manter a paz e a segurança na região", disse o embaixador dos EUA. "É do interesse do China". "Nós continuamos a chamar a Coreia do Norte a interromper suas ações irresponsáveis contra seus vizinhos e para aderir a suas obrigações internacionais", disse Rice. "Nós continuaremos a trabalhar com a comunidade internacional para manter a paz e a segurança na região, enquanto confrontamos simultaneamente a ameaça imposta pelas contínuas atividades nucleares da Coreia do Norte". A Coreia do Norte desenvolve há anos um programa nuclear sob críticas do Ocidente, que já tentou, sem sucesso, negociar sua desnuclearização. O regime recluso do ditador Kim Jong-il sofre ainda diversas sanções do Conselho de Segurança por manter seu programa nuclear com fins claramente militares. Recentemente, o jornal "New York Times" revelou que um cientista americano da Universidade de Stanford informou à Casa Branca ter visitado uma grande e nova usina nuclear na Coreia do Norte. O cientista que viajou a Pyongyang é o ex-diretor do Laboratório Nacional de Los Álamos e professor da Universidade de Stanford Siegfred S. Hecker que confirmou ao jornal ter visto "centenas de centrífugas" recém instaladas em grande e nova usina de enriquecimento de urânio que conta com uma "ultramoderna sala de controle". O americano disse ter ficado surpreso com a sofisticação da nova usina nuclear. Os norte-coreanos alegam que 2.000 centrífugas já foram instaladas e estão em funcionamento no local que Hecker teve autorização para visitar, segundo o "NYT". A publicação não soube informar, no entanto, a localização exata da nova instalação nuclear. PROIBIÇÃO Mas o cientista disse que foi proibido de fazer fotografias e que não teve condições de confirmar a afirmação norte-coreana de que a central já está produzindo urânio levemente enriquecido. O urânio pode ser enriquecido em vários níveis, a 20% garante produção de energia e a 90% pode virar uma bomba nuclear. "Há razões para questionar se isto é correto", declarou Hecker, que tem dúvidas sobre o fato de Pyongyang ser capaz de completar o projeto. Fontes do governo americano afirmaram ao jornal que observaram por satélite a área onde se diz que a usina foi construída, mas não confirmaram se já tinham conhecimento de sua existência. O jornal especula que Pyongyang, que fez o primeiro teste com uma bomba nuclear em 2006, só poderia ter alcançado este grau de desenvolvimento de suas instalações nucleares de maneira tão rápida com ajuda externa. A nova usina observada por Hecker não existia quando os inspetores internacionais foram expulsos do país em abril de 2009. REUNIÃO Os ministros de Relações Exteriores dos EUA, Japão e Coreia do Sul, se reunirão em Washington no próximo dia 6 de dezembro para discutir a crise com a Coreia do Norte, segundo a agência de notícias Nikkei.