MUNDO
Quarta-feira, 09 de Junho de 2010, 20h:47
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ONU
Conselho aprova novas sanções contra Irã
Em Natal, ao comentar a decisão do Conselho de Segurança da ONU, o presidente Luiz Inácio da Lula da Silva disse que sanções foram impostas ao Irã por 'birra'
ANA RUTH DANTAS e RAFAEL MORAES MOURA
Da Agência Estado - Natal
Apesar de Brasil e Turquia votarem contra a resolução que impõe novas sanções ao Irã - acusado de buscar tecnologia nuclear com fins militares - o documento foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, com 12 votos a favor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou que a nova rodada de sanções impostas pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Irã foi imposta por "birra", já que não havia mais a necessidade da aplicação de tais medidas. As novas sanções devem vetar investimentos exteriores iranianos em atividades e instalações relacionadas com a produção de urânio, serão estabelecidas restrições na venda de armas convencionais ao Irã. Além disso, o país será proibido de fabricar mísseis balísticos com capacidade de carregar ogivas nucleares. Na abertura da sessão, que começou com mais de uma hora de atraso, às 12h15 (horário de Brasília), a embaixadora brasileira da ONU, Maria Luiza Viotti, afirmou que, "na nossa visão", a resolução "atrasará, em vez de acelerar, uma solução para a questão". O Líbano se absteve de votar. Os outros 12 países do Conselho de Segurança foram favoráveis, aprovando a quarta rodada de sanções contra o Irã desde 2006. Em discurso durante a sessão, que acontece na sede da ONU em Nova York, a embaixadora americana, Susan Rice, voltou a elogiar a iniciativa de brasileiros e turcos de chegarem a um acordo. "O Brasil e a Turquia trabalharam duro", afirmou Rice, "o que reflete as boas intenções de seus líderes". No entanto, disse, o acordo alcançado com o Irã no dia 17 de maio, na tentativa de evitar as sanções, "não responde às questões fundamentais" que geram desconfiança nos americanos, o que fez com que a resolução fosse necessária. CRÍTICAS Lula criticou a postura dos países que votaram como os EUA, país que mais lutou pelas sanções. "Eu acho que nós devíamos ter paciência quando constatamos o óbvio. O Brasil e a Turquia fizeram o que os países do Conselho da ONU não conseguiram fazer: levar o Irã para as mesas de negociação. Ao invés deles terem o comportamento de chamar o Irã para a mesa, eles resolveram, na minha opinião pessoal, por birra, manter as sanções que vão terminar não tendo nenhuma explicação para o Irã", disparou o presidente. Lula, repetindo o discurso que empenhou durante toda a campanha a respeito do Irã, voltou a defende o diálogo como solução para o impasse nuclear. "Em política, a melhor forma de resolver o problema conflituoso é você gastar o máximo de tempo que você tiver dialogando. Quando fui ao Irã, muita gente dizia que eu estava enganado. Mas em 18 horas conseguimos assinar a carta com o Irã se comprometendo a cumprir aquilo que era o desejo dos membros de Segurança", afirmou o presidente após solenidade em Natal. LIXO O Irã rejeitou a aprovação de um novo pacote de sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) ao país por conta de seu programa nuclear e considerou a medida um erro, informou ontem o porta-voz do Ministério de Exteriores do Irã. O presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, também criticou a decisão e disse que as sanções "vão para o lixo". "As resoluções votadas pela ONU não valem um único centavo para a nação iraniana", declarou o presidente iraniano no Tajiquistão, onde está em viagem. "Disse às potências que essas resoluções são trapos usados e deve ir direto para o lixo", completou Ahmadinejad.