Comunidade internacional reluta em apoiar rejeição
A comunidade internacional relutou ontem em declarar apoio à decisão da véspera do Congresso de Honduras de rejeitar a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya, votação realizada segundo os parâmetros estabelecidos pelo Acordo de San José-Tegucigalpa, assinado por ambas as partes para encerrar a crise política. Os Estados Unidos, principal patrocinador da assinatura do acordo, evitaram comentar a decisão do Congresso e afirmaram apenas que desejam seguir trabalhando pelo cumprimento das cláusulas do documento. "Os Estados Unidos continuam apoiando o acordo, que foi fundamentalmente negociado pelos hondurenhos para resolver um problema hondurenho", disse a porta-voz do Departamento de Estado Americano Joanne Moore à agência de notícias Efe. Moore afirmou que o governo americano continuará "trabalhando com os hondurenhos e os parceiros internacionais para apoiar a completa execução [do pacto]". O acordo determinava em seu artigo quinto a restituição de Zelaya, que ficou submetida à aprovação do Congresso hondurenho. Em sessão que durou mais de sete horas, os congressistas rejeitaram a restituição de Zelaya. Dos 128 deputados que compõem o parlamento, 111 votaram contra o retorno do presidente deposto ao poder, enquanto 14 mostraram-se a favor e outros três não votaram. Os EUA defenderam a restituição de Zelaya e condenaram o golpe, mas começaram a amenizar sua posição diante do impasse e aceitaram --diferentemente do Brasil e a maioria dos latino-americanos, a eleição realizada no último domingo (29), que elegeu o opositor Porfírio Lobo. Já a OEA (Organização dos Estados Americanos), que atuou como mediadora das negociações entre Zelaya e o governo interino de Roberto Micheletti, afirmou nesta quinta-feira que ainda existem "obstáculos importantes" para a reconciliação nacional de Honduras. "Está claro que ainda existem em Honduras importantes obstáculos para a reconciliação nacional", disse Irene Klinger, diretora do Departamento de Assuntos Internacionais da OEA, durante uma sessão de trabalho paralela durante a 4ª Conferência Itália-América Latina e Caribe, na cidade italiana de Milão.