MUNDO
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009, 19h:35
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GRIPE SUÍNA
Com pandemia, iniciam corrida pela vacina
O Ministério da Saúde do Brasil informou ontem que só comprará a vacina contra a gripe suína que for produzida depois de comprovada a sua eficácia
Com a Influenza A agora declarada uma pandemia, os laboratórios entraram numa corrida para produzir uma vacina contra a gripe suína. A GlaxoSmithKline Plc disse anteontem, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a Influenza A uma pandemia mundial, que em algumas semanas deverá começar a produzir em larga escala uma vacina. Ao menos 29.669 pessoas, de 74 países, já contraíram gripe suína - como é chamada a gripe A (H1N1) -, segundo balanço divulgado ontem pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Em 145 casos, os pacientes morreram. O balanço foi divulgado no dia seguinte ao anúncio da organização de que a doença causada pelo vírus atingiu o nível de pandemia. O termo tem relação apenas com a ampla distribuição geográfica da gripe suína, considerada uma doença 'moderada'. Os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número de casos --13.217, com 27 mortes. Em seguida vem o México, considerado o epicentro da doença, com 6.241 casos confirmados e o maior número de mortes, 108. No Canadá, 2.978 pessoas foram contaminadas pelo vírus da gripe suína; quatro delas morreram. No Chile, dos 1.694 casos confirmados, dois resultaram em morte. Costa Rica, República Dominicana, Guatemala e Colômbia relataram, cada um, uma morte causada pela gripe suína. O Brasil possui 52 casos confirmados, mas nenhuma morte foi registrada. VACINA A Sanofi-Aventis também informou que começou a trabalhar na sua vacina, e ontem a suíça Novartis anunciou que criou uma vacina experimental que ainda não foi testada em pessoas. A vacina da Novartis foi feita com uma tecnologia que poderá se mostrar mais rápida que a maneira tradicional de fazer vacinas. Muitos países ricos como a Grã-Bretanha, Canadá e França assinaram contratos com indústrias farmacêuticas, o que garante a essas nações acesso à vacina contra a pandemia. A OMC e especialistas estimam que em doze meses estarão disponíveis 2.4 bilhões de doses da vacina contra a pandemia. A possível disputa pelas vacinas poderá deixar muitas pessoas nos países pobres com as mãos vazias. Até agora, a Influenza A tem se espalhado mais por países desenvolvidos como os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, Japão e Austrália. "Nós não sabemos como esse vírus se comportará sob condições típicas encontradas no mundo em desenvolvimento", disse a dirigente da OMS, Margaret Chan. Ela disse que a OMS espera por um cenário "mais sombrio" quando o vírus fizer seu caminho pela África e Ásia. Em maio, médicos liderados por Chan e pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediram á indústria farmacêutica que separasse uma parte da futura produção de vacinas contra a gripe suína para os países pobres. Algumas empresas concordaram em ajudar. O laboratório britânico GlaxoSmithKline Plc ofereceu a doação de 50 milhões de doses à OMS, para serem distribuídas nos países em desenvolvimento. Durante a gripe aviária, a Sanofi-Aventis prometeu à OMS 60 milhões de doses contra o vírus H5N1. PAÍSES POBRES O porta-voz da OMS, Gregory Hartl, disse que os funcionários estão preocupados com as pessoas que vivem nos países mais pobres e com aquelas que lutam contra doenças como malária, tuberculose, pneumonia e são mal nutridas. Segundo ele, essas pessoas podem ser mais suscetíveis ao vírus da Influenza A. Ontem, a OMS informou que 74 países reportaram quase 30 mil casos da Influenza A, com 145 mortes. Mas até agora o vírus parece não ser muito forte. Muitas pessoas não precisaram de tratamento médico para melhorar. O vírus, no entanto, pode ter um efeito mais devastador sobre pessoas que já têm problemas de saúde. Quase metade das pessoas mortas pela Influenza A sofriam de asma, diabetes e obesidade. "Qualquer população que já enfrente desafios na saúde sofre um risco potencial com o vírus H1N1", disse Hartl. BRASIL O Ministério da Saúde informou que, por uma questão de responsabilidade em relação à proteção dos cidadãos, comprará a vacina contra a gripe suína que for produzida, depois de comprovada a eficácia, independentemente do nome do laboratório ou de sua nacionalidade. Mas, por enquanto, de acordo com o ministério, nada foi avisado quanto à fabricação da vacina por nenhum laboratório do mundo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)não recebeu nenhum pedido de registro do produto. O comunicado do Laboratório Novartis, de que a partir de setembro iniciará a produção da vacina para a nova gripe, foi visto mais como um passo na disputa entre os vários fabricantes pelo marketing de ser o primeiro a produzir o antídoto para o H1N1. De acordo com informação de autoridades de saúde brasileira, desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou aos laboratórios espalhados pelo mundo que fabricassem a vacina, começou uma grande corrida para ver quem é que chega primeiro. Um desses laboratórios é o Instituto Butantã, do Brasil, que espera fabricar a vacina a partir de outubro.