MUNDO
Sexta-feira, 22 de Junho de 2007, 19h:48
A
A
EUA
CIA revelará segredos em documento
São 693 páginas sobre planos de assassinato de governantes estrangeiros, seqüestros e experiências com drogas em seres humanos.
A CIA [agência de inteligência americana] mostrará algumas das "jóias" de sua história quando revelar 693 páginas de documentos sobre planos de assassinato de governantes estrangeiros, seqüestros e experiências com drogas em seres humanos. O diretor da agência, Michael Hayden, anunciou a divulgação durante um encontro com historiadores de política externa e disse que os documentos fazem parte de uma coleção de "jóias da família" que cobrem desde o começo da década de 1950 a meados da de 1970. "A maior parte disso é pouco lisonjeador", acrescentou Hayden no encontro. "Mas é a história da CIA". Os Arquivos de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), um grupo de estudo dependente da Universidade George Washington e que se dedica à pesquisa de documentos classificados como secretos, sustenta que o material mostra que "a agência violou sua própria carta constitutiva durante 25 anos". JÓIAS A coleção de "jóias" no histórico da agência de espionagem começou em 1973 quando seu então diretor, James Schlesinger, alarmado pelos artigos da imprensa sobre a vinculação da CIA com o caso Watergate, ordenou que fosse informado sobre todas as operações "à margem" da autorização legal da entidade. Essa coleção de documentos, que remonta a 1953, passou às mãos do sucessor de Schlesinger, William Colby, que em dezembro de 1974 ficou alarmado com um artigo do jornalista Seymour Hersh, do jornal "The New York Times", sobre a infiltração da CIA no movimento contra a Guerra do Vietnã. O NSA, que obteve alguns desses documentos após anos de negociações, disse hoje que entre as atividades consultadas por Colby com os assessores legais da CIA no final de 1974 estava "o confinamento de um desertor russo que pode ser considerada uma violação das leis de seqüestros". Além da espionagem de jornalistas americanos, Colby também discutiu "experimentos de modificação da conduta de cidadãos americanos 'não voluntários', e planos de assassinato contra Fidel Castro, o revolucionário congolês Patrice Lumumba, e o ex-ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo." ERROS Em reunião em janeiro de 1975, Colby informou ao então presidente Gerald Ford: "Temos uma instituição de 25 anos de idade que fez algumas coisas que não deveria ter feito", segundo um memorando divulgado pela NSA em seu site da internet.