A China acusou ontem o Vaticano de restringir a liberdade de religião, um dia depois de a Santa Sé ter denunciado a ordenação, no sábado, de um bispo da igreja católica chinesa oficial. "A igreja católica da China, apoiada em décadas de tradição, efetua suas tarefas de ordenação em um espírito de independência. É uma manifestação concreta da liberdade de crença religiosa", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Hong Lei. "Qualquer intervenção constitui um ato de restrição da liberdade, assim como de intolerância", completou. A ordenação do padre Guo Jincai em Chengde, uma cidade do norte da China, foi anunciada no sábado por Liu Bainian, vice-presidente da Associação Patriótica dos Católicos da China, uma igreja controlada pelas autoridades e que tem os bispos nomeados pelo governo. Segundo o Vaticano, a ordenação constitui "uma ferida dolorosa e uma grave violação da disciplina católica". A Santa Sé destacou ainda que o papa Bento 16 lamentou "profundamente" a ordenação.