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MUNDO
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010, 19h:25

WELLS FARGO

Candidatura de Dilma é "dedaço com caipirinha"

DANIELA MILANESE
Da Agência Estado - Londres
A escolha de Dilma Rousseff como candidata do Partido dos Trabalhadores é um "dedaço com caipirinha", aponta o economista-sênior da Wells Fargo Securities, Eugenio Aleman. Ele acredita que o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva a uma "desconhecida" guarda alguma similaridade com o "dedaço" praticado pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI), que ficou no poder por 70 anos no México - a expressão surgiu porque, durante esse período, o PRI apontava o dedo para quem considerava o sucessor e, por muitas vezes, este foi eleito. "Por sete décadas, o processo funcionou bem, já que cada escolhido foi realmente eleito presidente do País, por meio de eleições legítimas ou até fraudulentas, até o final do século 20, quando a estratégia falhou e o PRI teve de deixar o governo", diz o economista da instituição americana, em relatório distribuído a clientes. Ele acredita, no entanto, que apesar dessa similaridade as diferenças entre o Brasil e o México são grandes. "Não queremos que ninguém pense que exista qualquer outra similaridade entre os dois sistemas políticos", afirma. Mas, como aconteceu no México, "a forma como um candidato é escolhido tem suas consequências e desta vez provavelmente não será uma exceção". O Wells Fargo avalia que a vitória de Dilma, amplamente esperada, traz vários riscos. O principal deles é a falta de carisma da candidata, ao contrário de Lula. Mesmo se Dilma chegar ao poder escoltada pelo forte crescimento econômico, exercer a Presidência é uma "tarefa muito difícil e sua liderança, ou falta dela, será testada muito rapidamente". Aleman acredita que Lula vai querer voltar à Presidência logo após o primeiro mandato de Dilma, o que trará dificuldades para o sistema político brasileiro. "Acreditamos que a intenção de Lula é retornar à Presidência para a Olimpíada de 2016 sediada no Rio de Janeiro, porque ele sente que merece ser presidente durante um evento tão importante." Se o plano de Lula é ter Dilma como uma espécie de "presidente interina" entre 2011 e 2014, para retornar em 2015, "os próximos quatro anos serão muito difíceis para o sistema político brasileiro", diz o economista. "Historicamente, esse tipo de acordo nunca funciona, porque o candidato escolhido normalmente começa a pedir por independência", afirma o relatório.

Edição EDIÇÃO 16961




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