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MUNDO
Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2010, 09h:25

IRÃ

Brasil pode mudar posição sobre sansões

O presidente iraniano disse que seu país já dispõe de tecnologia para enriquecer urânio a 80%. Brasil pode mudar de posição a favor de sanções ao Irã

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem que não tem conhecimento oficial de que o Irã pode efetivamente enriquecer urânio a 80%, mas afirmou isso seria algo que "lamentaria". "Ainda não tive notícias. Não houve declaração a respeito e lamentaria se fosse verdade, porque isso seria um nível elevado", declarou Amorim em uma coletiva de imprensa junto ao seu colega Carl Bildt. Amorim admitiu que o tema causa preocupação. "Todos nós estamos preocupados. Eu também estava muito preocupado com o Iraque (antes do início da guerra, em 2003) e fiquei mais preocupado depois", insistiu. "Eu fico preocupado também em encontrar o caminho certo." Antes do anúncio do Irã de que iria enriquecer seu urânio a níveis elevados, o Brasil vinha se mostrando firmemente contra aplicar sanções a Teerã, e favorável a busca de um diálogo. Embora tenha adiantado sua opinião de que possa haver um "limite" nesse imbróglio nuclear que opõe o Irã ao Ocidente, Amorim insistiu que é preciso fazer um "esforço" de diálogo em prol de uma "solução pacífica". Pelo segundo dia consecutivo, sugeriu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) chame a Viena os negociadores iranianos para darem explicações sobre as recentes declarações de Ahmadinejad e de outras autoridades do país, que causaram reações mundo afora. Em atitude defensiva, Amorim justificou a insistência do governo brasileiro pela via da negociação, em um momento em que cinco das seis das potências nucleares estão convencidas de que a imposição de sanções é o único meio de forçar o Irã a retomar o diálogo sobre o acordo de troca de urânio enriquecido a baixos teores por combustível nuclear, intermediado pela AIEA. O chanceler argumentou que a preocupação do Brasil é idêntica à dessas potências - a garantia de que não haverá proliferação de armas atômicas. "Quando dizem que nós não deveríamos entrar, que isso é uma confusão, uma saia-justa, essas pessoas se esquecem que o mundo é um só e que, se houver um problema grave no Irã, pode haver uma série de efeitos, desde o aumento do preço do petróleo até uma catástrofe humanitária, como aconteceu no Iraque antes da guerra", ponderou. O presidente iraniano, Mahmud Ahmadineyad, disse ontem durante as celebrações do 31º aniversário da Revolução Islâmica, que seu país já é um "Estado nuclear" que dispõe de tecnologia para enriquecer urânio a 80%. Apesar de declarar que no momento não está interessado a chegar a esse nível, Ahmadineyad revelou que cientistas iranianos conseguiram produzir, em apenas dois dias, o primeiro pacote de urânio enriquecido a 20%.

Edição EDIÇÃO 16962




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