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MUNDO
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012, 20h:10

IÊMEN

Al Qaeda reivindica ataque que matou 90

Este foi o atentado mais sangrento desde o início da revolta popular, no início do ano passado, que derrubou o regime do ditador Ali Abdullah Saleh

A rede terrorista Al Qaeda reivindicou o atentado ocorrido ontem durante o ensaio de um desfile militar na cidade de Sanaa, em que ao menos 90 pessoas morreram. Em um comunicado, o grupo diz que o objetivo da operação era assassinar o ministro da Defesa, Mohamed Naser Ahmad, que se encontrava no local da explosão mas saiu ileso. Ao menos 90 pessoas morreram e outras 222 ficaram feridas no atentado suicida, de acordo com o Ministério da Defesa local. Foi o atentado mais sangrento desde o início da revolta popular, no início do ano passado, que derrubou o regime do ditador Ali Abdullah Saleh. O ataque foi perpetrado na praça de Sabein, onde se encontravam o ministro Naser Ahmad, e o chefe do Estado Maior, Ali al Ashual. Vários membros das forças de segurança que presenciaram o ataque disseram que um suicida, vestido de uniforme, detonou um cinto de explosivos ao fim do ensaio. O Ministério informou que todas as vítimas eram recrutas da polícia e do Exército, que preparavam o desfile para a celebração dos 22 anos da unificação do Iêmen. TENSÃO O Iêmen é reduto da AQAP (Al Qaeda na Península Arábica) e é considerado pelos Estados Unidos uma grande ameaça, não apenas para a segurança da região mas também para a segurança interna. Um instrutor militar dos EUA ficou ferido em um ataque a uma equipe militar norte-americana no domingo. Ontem, pedaços de corpos e sangue ficaram espalhados pela avenida de dez faixas onde acontecia a apresentação militar. A área foi isolada pelas autoridades. "Estávamos em um desfile, e de repente houve uma enorme explosão. Dezenas dos nossos homens morreram. Nós tentamos ajudá-los", disse um homem que identificou-se como coronel Amin al-Alghabati, com as mãos e o uniforme sujos de sangue. "O homem-bomba estava vestido com uniforme militar. Ele tinha um cinto com explosivos no corpo", acrescentou a testemunha. MOMENTO O ataque coincidiu com uma ofensiva em parceria entre EUA e Iêmen contra militantes ligados à Al Qaeda no sul do país, onde eles controlam várias cidades. As tropas se aproximaram dos pontos-fortes dos militantes no domingo, após violentos confrontos. Os militantes provocaram uma instabilidade política no Iêmen e ganharam espaço diante da paralisia vivida na maior parte de 2011 em consequência dos protestos da Primavera Árabe, que acabaram por derrubar o ditador Ali Abdullah Saleh. CONDENA O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou o atentado e enviou condolências ao mandatário iemenita, Abd Rabo Mansur Hadi, e chamou a ação de "covarde". O principal conselheiro sobre combate ao terrorismo de Obama, John Brennan, especialista em Iêmen, conversou com Hadi para transmitir a mensagem e propôs a ajuda dos Estados Unidos para investigar o atentado, disse o porta-voz da Presidência americana, Jay Carney.

Edição EDIÇÃO 16960




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