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MUNDO
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007, 18h:33

PAQUISTÃO

Al-Qaeda é culpada por morte de Benazir

Segundo Ministério do Interior, inteligência interceptou um dos terroristas mais procurados do país. Benazir foi enterrada ontem

O Paquistão tem informações de inteligência que colocam a rede Al-Qaeda como mentora do assassinato da líder oposicionista e ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto, disse ontem um porta-voz do Ministério do Interior do país. "Temos dados interceptados de inteligência indicando que o líder da Al-Qaeda Baetilha Mehsud está por trás do assassinato", disse o porta-voz Javed Iqbal Cheema durante uma entrevista a jornalistas. Mehsud é um dos militantes islâmicos mais procurados pelo Paquistão e vive na região do Waziristão do Sul, na fronteira com o Afeganistão. Segundo Cheema, autoridades governamentais interceptaram ontem uma ligação em que Mehsud parabeniza seus militantes por levarem à cabo o ataque. Ainda de acordo com o porta-voz, o terrorista também estaria por trás do atentado suicida contra Benazir que resultou na morte de mais de 140 pessoas em Karachi, em outubro, após sua volta ao país. A ex-premiê, que escapou ilesa do ataque, se auto-exilou por oito anos em Londres para evitar ser punida por corrupção em um processo aberto durante seu governo. Morta em um ataque a bomba precedido de tiroteio após um comício político na cidade de Rawapindi, na quinta-feira, 27, Benazir foi enterrada no mausoléu ao lado de seu pai, um também ex-primeiro-ministro executado na década 1970. O crime gerou a mais grave crise política a atingir o país em seus 60 anos de história independente. Cerca de 24 pessoas morreram no país vítimas da onda de protestos gerada pelo assassinato. ACUSAÇÕES Os manifestantes que participaram do enterro entoaram músicas de protestos contra o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e aos Estados Unidos. Inimigo político de Benazir, o general é um forte aliado de Washington na "guerra ao terror". Muitos dos partidários de Benazir acusam o governo de estar por trás do assassinato; outros, alegam que Musharraf não fez o suficiente para dar segurança a ex-premiê. A própria Benazir já havia acusado membros do governo próximos a Musharraf pelo atentado de outubro. Durante a coletiva de ontem, Cheema afirmou também que a ex-premiê não morreu em decorrência de tiros ou estilhaços provocados pelo atentado, como havia sido informado anteriormente. Segundo o porta-voz do Ministério do Interior, Benazir morreu porque bateu a cabeça contra uma barra de proteção do teto solar de seu veículo. O movimento teria sido provocado pela força da explosão. "Não havia perfurações de bala ou estilhaços" no coropo dela, disse Cheema. ENTERRO O corpo da ex-premiê Benazir Bhutto chegou em sua cidade natal, Garhi Khuda Baksh, ao sul do país na manhã de ontem. O enterro, no mausoléu de sua família, ocorre em meio a temores de novas ondas de violência. Segundo relatos da imprensa local, as forças de segurança se encontram em estado de alerta. A polícia, porém, foi orientada a evitar qualquer confronto direto com manifestantes. Milhares de pessoas acompanham o funeral de Bhutto. O Paquistão amanheceu ontem em clima de forte tensão. À notícia do assassinato de Bhutto, seguiu-se uma série de protestos, principalmente na Província de Sindh. Ontem, ao menos 14 pessoas morreram durante os distúrbios. O caixão de Bhutto, envolto na bandeira de seu partido, o PPP (Partido do Povo do Paquistão), foi levado para o mausoléu da família na cidade de Garhi Khuda Bakhsh. As pessoas que acompanhavam eram vistas em desespero. Algumas se autoflagelavam. Protestos violentos que se seguiram à morte da ex-premiê deixaram ao menos 14 mortos pelo país, segundo a imprensa paquistanesa.

Edição EDIÇÃO 16962




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