MUNDO
Quinta-feira, 12 de Abril de 2012, 21h:58
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JUSTIÇA
Acusado de matar negro será indiciado
A Justiça do Estado da Flórida, nos Estados Unidos, indiciará em 29 de maio o vigilante voluntário George Zimmerman, acusado de matar o jovem negro Trayvon Martin, 17, em um condomínio de Sanford em 26 de fevereiro. Ontem, Zimmerman foi a sua primeira audiência no processo em que é acusado por homicídio doloso. Durante a passagem pelo tribunal, o vigilante apenas respondeu às perguntas dos promotores sobre a acusação. O juiz Mark E. Herr, responsável pelo caso, afirmou que há motivos para seguir com o caso e o indiciamento acontecerá em 29 de maio, antes de outra audiência. Depois da sessão onde foram apresentadas as acusações, o advogado de defesa do vigilante, Mark O' Hara, disse estar preocupado com a forma que o caso está sendo tratado pela opinião pública americana, a partir de detalhes que saem de forma fragmentada. Mais cedo, o defensor afirmou que Zimmerman está nervoso, cansado e com esperanças de conseguir liberdade sob pagamento de fiança, mas que não tem preocupações sobre o estado mental de seu cliente. Ontem, a mãe de Trayvon Martin, Sybrina Fulton, afirmou à agência de notícias Associated Press que o encontro entre seu filho e o vigilante foi um acidente, mas que os disparos foram um "assassinato". "Eles nunca deveriam ter se encontrado". Zimmerman se entregou na quarta-feira à polícia de Sanford, na Flórida. Ele foi acusado pela Promotoria por homicídio pelo crime, que aconteceu em 26 de fevereiro. Caso seja condenado pela morte do jovem, Zimmerman poderá ser punido de 25 anos de reclusão a prisão perpétua. PRESSÃO A promotora Angela Corey, que anunciou as acusações, afirmou não ter agido sob a pressão da opinião pública. "Não podemos fazer nosso trabalho a pedido de alguém. Nos baseamos nos fatos em casa caso de acordo com as leis do Estado da Flórida". O advogado de Zimmerman, Martin O'Hara, afirmou não ter preocupações sobre o estado mental de seu cliente. A defesa afirma que aplicará a polêmica lei "Stand Your Ground", existente na Flórida, para provar que o vigilante não é culpado. A medida permite responder em liberdade ao processo e não pune quem causa a morte de outra pessoa após receber uma ameaça de morte ou lesão corporal grave. No primeiro depoimento à polícia, quando ocorreu o crime, o vigia alegou ter atuado em legítima defesa, o que o deixou em liberdade. A saída de Zimmerman foi a responsável pela eclosão dos protestos em diversas cidades americanas contra a lei. O caso gerou comentários da ONU (Organização das Nações Unidas) e do presidente Barack Obama, dizendo que, se tivesse um filho homem, ele seria como Trayvon. Martin foi listado como vítima de racismo por grupos de direitos humanos e manifestantes do movimento negro americano. Do outro lado, os apoiadores de Zimmerman, americano de origem peruana, afirmaram que o vigilante é símbolo do caráter americano e tentaram mostrá-lo como o protetor da comunidade que arrisca a própria vida para salvar os vizinhos.