NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009, 23h:22

DEBATE

Zuenir Ventura e o futuro do livro

Ubiratan Brasil
Agência Estado
Os mais alarmistas acreditam que a venda do livro em papel será ultrapassada pela da versão eletrônica (e-book) em 2018, da mesma forma que o jornal impresso também tem seus dias contados graças aos avanços tecnológicos. Arautos do apocalipse, no entanto, não impressionam o escritor e jornalista Zuenir Ventura. "Ouço essa história desde que comecei minha carreira, em 1958, especialmente quando surge uma nova tecnologia", comenta ele, que participou há poucos dias de um debate sobre o assunto. O escritor comentou sobre as especulações em torno do fim do formato atual do jornal e do livro. "Claro que não tenho respostas conclusivas, mas vou relembrar como, em outras épocas, o fim desses meios também foi decretado", disse. "Já no início da história do conhecimento humano, o surgimento da escrita era apontado como uma ameaça à memória, que se extinguiria pela falta de uso uma vez que tudo passaria a ser documentado." Contrário a antagonismos, Zuenir Ventura, autor de clássicos como "1968 - O Ano que Não Terminou" (Planeta), aposta no ajuste e não na extinção desses meios ameaçados. "O jornal sobreviveu ao rádio, à televisão e, agora, resistirá diante da internet. O que acredito ser o caminho da sobrevivência é a formulação de sua pauta, ou seja, o texto do jornal impresso deverá ser cada vez mais interpretativo e não apenas informativo." Segundo ele, o turbilhão de notícias disponíveis a cada segundo na rede mundial mais confunde que informa as pessoas, especialmente os jovens, que muitas vezes ainda não coletaram conhecimento necessário para filtrar os fatos e dali desprender a essência. "Percebo uma grande diferença entre a geração atual e a minha", observa Zuenir, que completou 78 anos em junho. "Enquanto meus pares lutavam por uma ideologia, os jovens de hoje não têm mais certeza. O que comprova que o excesso de informação provoca ruídos e, às vezes, até indigestão." Zuenir ficou satisfeito com as declarações de Timothy Balding, presidente da Associação Mundial de Jornais, que, durante o 62º Congresso da entidade, realizado entre 30 de novembro e 3 de dezembro na Índia, declarou-se na contramão das previsões mais pessimistas, ao afirmar que a indústria de jornais está longe do apocalipse. "É normal acontecer alguma oscilação no número das vendas, mas nada que possa abalar as estruturas", comenta Zuenir. O livro também vive ameaçado, mas continua firme. O incremento de aparelhos digitais de leitura, conhecidos por e-books, é fato: segundo uma empresa de pesquisas (Forrester), cerca de 3 milhões de leitores digitais serão vendidos nos Estados Unidos até o final do ano, contra uma previsão inicial de um milhão, um aumento favorecido por preços mais baixos, variação no conteúdo e melhor distribuição. Mas os puristas apontam uma qualidade da obra em papel que a ferramenta digital ainda não consegue oferecer: o prazer olfativo de se folhear um livro. "Isso ainda é insubstituível", comenta Zuenir que, diante das incertezas que sempre marcam o surgimento de novas tecnologias, aposta na manutenção dos objetos mais tradicionais. "Um mérito da internet foi ter incentivado o ato da escrita, especialmente entre os mais jovens Mas a linguagem ainda é tão estereotipada que livros e jornais despontam como os salvadores da gramática." Para Zuenir, a vitória, ao final, será da necessidade humana de leitura - esta vai sempre permanecer, independente da mudança de suporte. "Seja em papiros ou em e-books, o homem terá sempre uma vontade interminável de ler, de se comunicar, algo que, com o tempo, se transformou em uma necessidade biológica.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL