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ILUSTRADO
Terça-feira, 23 de Junho de 2009, 20h:58

DVD

Você nunca sabe o que a vida lhe reserva

Os oscarizados “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Quem Quer Ser um Milionário?”, grande vencedor de 2009, são os filmes na berlinda na edição desta quarta-feira

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
“Eu nasci sob circunstâncias incomuns, enquanto todos estavam envelhecendo, eu ficava mais jovem... sempre sozinho”... Assim começa “O Curioso Caso de Benjamin Button” (The Curious Case of Benjamin Button, EUA, 2008/Warner), uma adaptação inspirada bem livremente do conto homônimo de 1922 de F. Scott Fitzgerald sobre um homem que nasce fisicamente velho e com o passar dos anos, misteriosamente, vai rejuvenescendo. Assim como qualquer outra pessoa, Benjamim Button (Brad Pitt, nunca sendo grotesco o bastante para afastar o espectador ou normal demais para ganhar simpatia gratuita, numa atuação memorável que lhe valeu indicação ao Oscar 2009 de melhor ator) é incapaz de deter a passagem do tempo. Sua história começa em Nova Orleans, ao fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, e segue em direção ao século 21 em uma jornada repleta de encontros e desencontros. A mãe de Benjamin morre no parto e o pai, atordoado com as feições do bebê enrugado, que aparenta ter 80 anos, deixa-o na porta de um asilo para idosos. Ali, vive desde pequeno com a mãe adotiva Queenie (Taraji P. Henson, ótima), e vai ficando mais jovem com o decorrer do tempo. Sua vida toma rumos diferentes com o passar dos anos. Vive a Segunda Guerra sem querer, ganha uma figura paterna, o capitão Mike (Jason Flemyng), viaja pelo mundo, se encanta por uma casada russa (Tilda Swinton), mas não esquece da sua amiga de infância, a bailarina Daisy (Cate Blanchett), uma paixão que o acompanhará por décadas, e volta para casa. Duas coisas são constantes na vida ao contrário de Benjamin: o amor e a morte. Com simplicidade em sua existência fantástica, Benjamin só quer provar que a integridade de suas emoções é maior que qualquer evento ou sentimento. Ele é uma espécie de “Forrest Gump” mais observador que catalizador – o roteiro de ambos é de Eric Roth. Este caráter do personagem aumenta ainda mais a emoção desta fantasiosa historia, mostrando o drama de um sujeito diferente de todas as pessoas ao seu redor, lutando para conseguir se relacionar com os outros. Dirigido por David Fincher (“Seven”, “Clube da Luta”, “Aliens 3”, “O Quarto do Pânico”, “Zodíaco”), numa virada radical em sua carreira, a tal curiosa trajetória de Benjamin Button é uma fábula melancólica sobre a triste celebração da incoerência da alma. Um aprendizado sobre os prazeres da vida e a inevitabilidade da morte. Recordista de indicações deste ano, “O Curioso Caso de Benjamin Button”, foi também o maior perdedor no Oscar. Saiu da cerimônia com apenas três das treze estatuetas a que concorria. É pena, mas a Academia de Hollywood enxergou apenas os esforços visuais do filme, recompensando-o nas categorias de melhor maquiagem, efeitos visuais e direção de arte. Além de bastante comovente, é de uma originalidade impar. A edição em DVD traz mais de três horas de extras inéditos sobre esta extraordinária produção fora do comum.

Edição EDIÇÃO 16962




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