ILUSTRADO
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2010, 19h:01
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CINEMA
Viva curta ao Sábado
Premiado no Brasil e lançado nos cinemas e cineclubes do Brasil ao mesmo tempo o documentário, memória e ficção se misturam neste filme
O que restou de um quilombo em Minas Gerais é o ambiente escolhido pelo jovem diretor Rodrigo Siqueira para rodar "Terra Deu, Terra Come, atração da Sessão Curta ao Sábado de 09 de outubro, às 17h, no Auditório do Centro Cultural da UFMT. O filme é inédito e está sendo lançado nacionalmente em vários cineclubes durante este mês. A sessão é gratuita e oferece deliciosa pipoca aos participantes. Premiado no 15º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, Terra deu, Terra come acompanha o garimpeiro Pedro de Almeida, que comanda um cortejo fúnebre carregado de misticismo. O filme mostra a trajetória da cidade grande para o sertão, em busca do sal da terra. Tudo ocorre como uma elaborada encenação, na qual o cineasta se intromete como personagem. Pedro de Almeida, garimpeiro de 81 anos de idade, comanda como mestre de cerimônias o velório, o cortejo fúnebre e o enterro de João Batista, que morreu com 120 anos. O ritual sucede-se no quilombo Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais. Com uma canequinha esmaltada, ele joga as últimas gotas de cachaça sobre o cadáver já assentado na cova. Dessa maneira acaba o sepultamento de João Batista, após 17 horas de velório, choro, riso, farra, reza, silêncios, tristeza. No cortejo, muita cantoria com os versos dos vissungos, tradição herdada da áfrica. Descendente de escravos que trabalhavam na extração de diamantes, nas Minas Gerais do tempo do Brasil Império, Pedro é um dos últimos conhecedores dos vissungos, as cantigas em dialeto banguela cantadas durante os rituais fúnebres da região, que eram muito comuns nos séculos 18 e 19. Garimpeiro de muita sorte, Pedro já encontrou diamantes de tesouros enterrados pelos antigos escravos, na região de Diamantina. Mas, o primeiro diamante que encontrou, há 70 anos, o tio com quem trabalhava o enterrou e morreu sem dizer onde. Depois disso, vive sempre em uma sinuca: para reencontrar o diamante só se invocar a alma de seu tio João dos Santos. É um diamante e tanto, você precisa ver que botão de mágoa. A atuação de Pedro e seus familiares frente à câmera nos provoca pela sua dramaturgia espontânea, uma auto-mise-en-scène instigante. No filme, não se sabe o que é fato e o que é representação, o que é verdade e o que é um conto, documentário ou ficção, o que é cinema e o que é vida, o que é africano e o que é mineiro, brasileiro. Além do prêmio do É tudo verdade, Terra deu, Terra come ganhou como melhor filme da "Mostra Panorâmica" no 38º Festival de Cinema de Gramado 2010. As exibições da Sessão Curta ao Sábado são realizadas a partir do Acervo do Cineclube Coxiponés e do Catálogo Programadora Brasil, projeto da Secretaria do Audiovisual (SAV), em parceria com a Cinemateca Brasileira e o Centro Técnico-Audiovisual (CTAV). A ação conta com a chancela do Programa Cine Mais Cultura/Minc e é apoiada pela Adufmat - Associação dos Docentes da UFMT. Circuito Cineclubista O filme Terra Deu Terra Come entrou em circuito comercial e cineclubista ao mesmo tempo, em lançamento nacional graças a uma parceria estabelecida entre o Ministério da Cultura e a produtora 7Estrelo. Ao mesmo tempo em que o filme estreia na Sala 1 do Espaço Unibanco de Cinema, em São Paulo, ele também será exibido nos 821 Cines Mais Cultura espalhados por todo o país. Nesta parceria inédita, a produtora enviou uma cópia em DVD de Terra Deu, Terra Come para cada unidade do Cine Mais Cultura, além de cartazes para divulgação e postais. As sessões no circuito cineclubista são gratuitas. (Com Assessoria) Serviço O QUE: Terra Deu, Terra Come (2010, Brasil, 88 min.) QUANDO: Hoje, às 17h. ONDE: Auditório do Centro Cultural da UFMT QUANTO: Grátis INFORMAÇÕES: Classificação 14 anos