15º longametragem do cineasta Carlos Reichenbach (Dois Córregos, Garotas do ABC, Bens Confiscados), o formidável Falsa Loura (Brasil, 2008/Imovision) mostra que o veterano diretor e roteirista continua com fôlego de jovem. O foco central do filme é a personagem título, Silmara (Rosane Mulholland, ótima), uma operária suburbana. Pretensiosa, ela parece ter o rei na barriga. Mostra pouca compaixão com as colegas, desdenha dos homens e não tem campo de visão além de seu umbigo. Bonita, decidida, por cima da carne seca, Silmara é tudo que suas colegas de fábrica querem ser. Contudo, o dia-a-dia da moça evidencia que sua pose não passa de autoproteção ela é que sustenta o pai, um ex criminoso. As dificuldades da vida são suprimidas e esquecidas quando Silmara vai às noites com as amigas ao Clube Alvorada, onde sonha com uma vida melhor para si. Suas chances disso acontecer aumentam quando se envolve, quase ao mesmo tempo, com o vocalista de uma banda de rock (Cauã Reymond) e com um cantor romântico mais velho que ela (Mauricio Mattar). Cada vez mais perdendo a noção da realidade e com o pai de volta à ativa, as condições que Silmara encontra para sobreviver vão apontando para uma direção que é latente, mas que a garota insiste em negar para si, ao mesmo tempo em que vai realizando a grande maioria de seus sonhos. Mas a que preço? Os seus sonhos dourados vêm em cascatas de decepção quando sente a triste diferença entre o real e a fantasia. Um cacetada atrás da outra, amenizada com a esperança no desfecho de tom poético que, mesmo assim, não tira o peso coerente daquela realidade. (J.C.)