ILUSTRADO
Terça-feira, 23 de Agosto de 2011, 18h:48
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SHOW
Uma levada temperada
O percussionista Sandro Souza, muito bem acompanhado, mostra hoje à noite a boa qualidade do seu trabalho
Martha Baptista
Da Reportagem
O escritor e dramaturgo Nélson Rodrigues (1912-1980) costumava dizer que toda unanimidade é burra, mas no caso do músico Sandro Souza essa máxima não procede. Esse paranaense, radicado em Cuiabá desde 1989, fez e faz a cabeça de uma geração de músicos e quando se fala em baterista e percussionista em Mato Grosso seu nome ainda é o primeiro que vem à mente. Hoje, Sandro Souza, o Sandrão, como é conhecido no meio musical, não será coadjuvante no show que será apresentado no Teatro do Sesc Arsenal, às 20h, com entrada franca. Ele é a estrela de Levada Temperada. Na verdade, o termo estrela não cai bem em Sandro, digamos que ele será o anfitrião do show, que vai marcar o retorno da Abagaba a banda que balançou o coreto da música instrumental mato-grossense, na primeira metade da década passada. Abagaba volta parcialmente renovada: ao lado de Sandro e do tecladista Ones Miguel Francescon, da formação original, estarão o guitarrista Sidnei Duarte e o baixista Samuel Smith, ambos com muita cancha de palco. Completa a banda nesta apresentação o saxofonista Neto Morais. Vale lembrar que a Abagaba original era integrada pelo guitarrista Danilo Bareiro e o baixista Ebinho Cardoso, que alçaram outros voos. Sandro está animadíssimo com o show de hoje e com a continuidade da Abagaba. Todo mundo está focado para desenvolver a banda, diz. Levada Temperada é o título do CD de Sandro, gravado em 2005, que terá várias faixas executadas no palco do Sesc Arsenal, entre elas, a música Cerrado, de Ones Miguel. FUSION Sandro e seus convidados vão apresentar também temas do guitarrista norte-americano Pat Metheny, da banda Yellow Jackets (banda de jazz fusion californiana), e de músicos da banda, como Sidnei Duarte. Vou tocar coisas que gosto, avisa Sandro, adepto da fusão na música instrumental. Em outras palavras, vai ser difícil rotular o som que vai rolar nesta edição do Sesc Instrumental. Funk jazz, rasqueado estilizado, tudo é improviso, balanço e desafio para Sandro, músico profissional há mais de 15 anos. Aliás, o baterista e percussionista é um pesquisador dos ritmos tradicionais mato-grossenses, sempre procurando manter um olhar contemporâneo e propondo fusões, releituras e novos olhares sobre o rasqueado, siriri e cururu. Ele, inclusive, utiliza em suas performances instrumentos típicos da música tradicional como a bruaca e o mocho. Tanto entusiasmo pelos ritmos genuinamente da terra que escolheu para viver com sua família levaram Sandro a criar uma banda de rasqueado, batizada de Corixo. Mas isso é outra história. O show desta noite é uma oportunidade imperdível (e de graça) para conhecer o talento de músicos que moram em Cuiabá e se dedicam à música instrumental, mas nada ficam devendo em relação a compositores e instrumentistas de outras cidades, seja do Brasil ou do exterior. No ano passado, Sandro passou uma temporada fora do país, apresentando-se na Inglaterra ao lado do violoncelista David Gardner, que tocou na Orquestra do Estado de Mato Grosso, e depois se uniu ao compositor, cantor e percussionista africano Maio Coopé, da Guiné Bissau, em várias apresentações em Portugal, onde também deu aulas de percussão. Em seguida, passou uma temporada em Paris ouvindo e tocando. Dar aulas é outra paixão do músico paranaense, que participa de cursos e oficinas em vários projetos sociais. Em suas andanças pelo Brasil e mundo afora, Sandro já abocanhou um segundo lugar no festival Odery and Modern Drummer e participou do Amazon Riffs Project, em Londres, ensinando o rasqueado cuiabano e o maracatu pernambucano, e dos projetos TIM Música nas Escolas, Ciranda Música e Cidadania, e o Florescer, em parceria com a Unesco. Sandro Souza já subiu ao palco ao lado de uma legião de músicos instrumentais: dentre outros, Nelson Faria, José Namen, Ademir Junior, André Vasconcellos, David Feldman, Arthur Maia, Marcio Montarroyos, Eduardo e Roberto Talfic, Chico Sá, Fidel Fiori e Phellippe Sabo, este último seu parceiro na composição que dá título ao CD e show Levada Temperada. Foi com eles que me enveredei pelos belos campos da música instrumental, comenta. Mas a lista de companheiros de palco é muito mais extensa e passa por todos os estilos musicais: MPB, reggae, funk, moda de viola e outros ritmos regionais, passando pela música erudita. Quem já bebeu e bebe em todas as fontes, tem cacife de sobra para se dedicar ao fusion: a fusão do jazz, da bossa nova, do samba, do funk, do pop, entre outros gêneros. É a levada mais do que temperada de Sandro Souza. SERVIÇO O QUE: Show Levada Temperada com Sandro Souza QUANDO: hoje (quarta-feira), às 20h ONDE: Teatro do Sesc Arsenal QUANTO: entrada franca