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ILUSTRADO
Terça-feira, 07 de Junho de 2011, 21h:26

LITERATURA

Uma aventura pessoal

Um dos mais premiados escritores brasileiros, Cristóvão Tezza faz palestra onde vai falar sobre livros, internet, criação literária etc

Lorenzo Falcão
Da Editoria
O escritor Cristóvão Tezza, com sua palestra “Escrever no Brasil – Uma Aventura Pessoal”, nesta quarta, é a grande atração cultural desta semana em Cuiabá. Talvez do mês de junho que mal começou. Quem sabe de 2011, que já está quase na metade. Essa conversa pode parecer brincadeira, mas não é. Tezza galgou um raro sucesso editorial, com seus livros vendendo muito bem, mas também conta com reconhecimento da crítica literária. Não fosse a literatura uma arte tão marginal e desprezada no Brasil, a presença do ilustre escritor, que reside em Curitiba, teria tudo pra ser, senão o maior, mas um dos grandes eventos culturais de 2011 em Cuiabá. Esta não é a primeira vez que o autor vem a Cuiabá. Já participou de outros eventos literários por aqui, entre eles, a Literamérica de 2006. Se a palestra do escritor vai mesmo ou não se tornar esse grande evento aqui propalado, só indo lá pra conferir. De qualquer maneira, já está feito aqui o registro da presença deste nobre escritor nesta terra, quando vai discorrer sobre temas como a literatura, a internet, o futuro do livro etc. A palestra é gratuita e acontece no CineSesc Arsenal, um lugar com capacidade para cerca de 60 pessoas. As senhas para garantir a participação devem ser retiradas com uma hora de antecedência. O escritor nasceu em Lages (SC), mas mudou-se ainda criança para Curitiba. E a capital paranaense costuma ser o cenário de sua ficção. Em 2008, um fato marcante na carreira do ficcionista o projetou em definitivo para o estrelato literário, se é que existe de fato: as várias premiações de seu livro “O Filho Eterno”, que faturou, anote aí, o Jabuti, Associação Paulista dos Críticos de Arte, Bravo!, Portugal-Telecom, São Paulo, Zaffari & Bourbon e Charles Brisset. Cristóvão Tezza é portador de uma curiosa coragem como escritor. “O Filho Eterno” é uma história autobiográfica, em torno de um pai que tem um filho com síndrome de down. Mas Tezza nunca encarou esse seu livro sobre como um meio de se confessar, mas sim como uma forma de contar uma parte importante da história de sua vida. “Um escritor não pode ter medo de seus temas. Não estava suportando a idéia de morrer sem escrever sobre o fato mais impactante da minha vida, que foi o nascimento do meu primeiro filho, com síndrome de Down. É um tema muito difícil pelas suas implicações sentimentais – a sociedade já tem um discurso piedoso à disposição do usuário. Eu precisava quebrar esse lugar-comum e ir mais longe. A literatura me permitiu essa viagem”, explicou o autor sobre os motivos que o levaram a escrever o “O Filho Eterno”. Trecho de O Filho Eterno: "Ali está o pai com o filho idiota diante da fonoaudióloga. Quase esquece que também tem uma filha normal – mas crianças normais só precisam de água, que elas vão crescendo como couves. (…) A criança não se concentra muito, diz a fonoaudióloga, e ele se afasta dali quase arrastando o filho, e no corredor sente o olhar agudo dos outros para o pai que leva aos trancos uma pequena vergonha nas mãos, incapaz de repetir duas ou três palavras numa sentença simples. (E no entanto a criança abraça-o com uma entrega física quase absoluta, como quem se larga nas mãos da natureza e fecha os olhos.)" FORMAÇÃO O escritor, quando terminou o segundo grau, entrou numas de se tornar aquilo que chamamos de ‘outsider’. Optou por não fazer vestibular e nem queria saber de universidades naqueles tempos. Entrou para um grupo de teatro, através do qual, pretendia desenvolver seu projeto de vida lítero-existencial. “Anos depois, a realidade pesou, acabei fazendo letras e me tornando professor, já com mais de 30 anos. Acho que essa turbulência meio maluca por que passei até virar esse senhor sério e conservador que vocês conhecem em sala de aula foi a chave da minha vida. E deu o tempero de um olhar enviesado para o mundo que é o segredo da literatura!, explanou Tezza em entrevista aos seus alunos logo após o sucesso de “O Filho Eterno”. Tezza já trabalhou na marinha mercante e foi relojoeiro. Mochileiro é algo que também lhe serve no currículo. Em 2008, com a enxurrada de prêmios de “O Filho Eterno”, Tezza decidiu abandonar a carreira de professor universitário, para ter uma vida mais tranqüila. Só que não foi exatamente isso que aconteceu: “Digamos que eu subitamente entrei numa roda-viva de entrevistas, palestras e eventos literários pelo Brasil afora de que só agora começo a acordar. Na verdade, tudo mudou na minha vida a partir do momento em que pedi demissão da universidade para me dedicar a uma vida mais tranquila – uma tranquilidade que de fato ainda não aconteceu, mas as coisas vão bem. Começo enfim a reorganizar minha vida”, disse ele em recente entrevista a um site. Tezza tem 14 livros publicados, sobre os quais deve falar um pouco nesta quarta-feira. Como ex-professor universitário e com a verve literária, a expectativa é que sua palestra seja mesmo algo acima da média. Não sei, não posso afirmar. É melhor checar pessoalmente e formar sua própria opinião.

Edição EDIÇÃO 16967




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