ILUSTRADO
Sábado, 31 de Julho de 2010, 12h:15
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MOSTRA
Uma arte impregnada de memórias
Adriana del Ré
Agência Estado
O trabalho da artista plástica brasileira Carmen Novo, de 41 anos, está impregnado de memórias, suas e alheias. Vivendo há 8 anos na França, ela mostra sua arte na Galeria Quarta Parede, em São Paulo, desde quinta-feira passada. É o projeto O Pequeno Museu de Mim e Outras Histórias, realizado em sua participação na residência Écritures de Lumière, com financiamento dos ministérios franceses da Cultura e da Comunicação, e da Educação Nacional. O vernissage terá participação do músico Tuti Fornari, que fará improvisações com Laurent Desforges ao piano em live Eletronics. A mostra agrupa fotografias - atualmente, uma de suas técnicas artísticas favoritas -, além de instalação e vídeo. "Minha arte trabalha com elementos da memória, da história pessoal. Acho que, mais do que uma reflexão, provoca uma relação sinestésica com o objeto. Você sente a presença de alguém que passou por ele", diz. Para entender o fascínio da artista pela questão da memória, basta conhecer um pouco de sua própria história. Sobre a avó materna que passou a vida guardando coisas, de valor afetivo ou não, e que abriu um antiquário, para logo depois fechá-lo, por não conseguir se desapegar daquelas velhas peças. "Todos aqueles objetos tinham histórias, que sempre eram contadas por ela", lembra. Também jornalista, Carmen identifica nessa vivência próxima com a notícia, com a informação, o caráter investigativo, muitas vezes, presente em sua obra, como é percebido na primeira parte da exposição, intitulada O Pequeno Museu de Mim - A Vida das Coisas. Num vídeo com cerca de 10 minutos, que combina fotos e depoimentos, pessoas contam a história de determinados objetos e a importância deles em suas vidas. É como se Carmen e público se apropriassem dos significados afetivos dessas peças, quando os mesmos são revelados por seus donos. Outra seção da mostra é reservada a retratos fotográficos de crianças, em preto e branco, feitos pela artista em 2009, justamente durante a residência Écritures de Lumière. Dentro dele, a série máscara proporciona um dos mais belos momentos da visitação, em que crianças seguram máscaras do próprio rosto, por detrás de uma janela em dia de neve. São registros recentes, mas que a linguagem P&B pode remeter ainda a épocas passadas. Daí, novamente, o diálogo com o tempo. "Fiz retratos das crianças e imprimi as imagens em tamanho natural. Elas puderam trabalhar esses retratos com canetas. Depois, as fotografei segurando essas máscaras." Esses trabalhos fizeram parte de uma individual de Carmen realizado entre junho e julho, na Orangerie do Château de la Louvière, em Montluçon; em maio, no CRDP (Centre Régional de Documentation Pédagogique d'Auvergne), em Clermont-Ferrand, e devem integrar uma exposição em comemoração ao ano da América Latina na França, no Centre Culturel La Pléiade, em Commentry. Na instalação fotográfica Para Guardar Nossas Lembranças, pequenas latas metálicas carregam pedaços de imagens, feitas por Carmen entre 2008 e 2009, algumas delas em Tronçais, maior floresta de carvalho da Europa, em Auvergne, região central da França, perto do qual mora a artista e sua família. Ainda este ano, deve ser lançado um livro sobre a região, com fotos de autoria de Carmen.