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ILUSTRADO
Terça-feira, 20 de Maio de 2008, 20h:46

DVDs

Uma angustiante e estranha situação

“Eu sou a lenda”, com Will Smith, o comovente “O pequeno italiano” e a nova investida de Antonio Banderas na direção, “O caminho dos ingleses”, estão avaliados hoje

Juarez Compertino
Especial para o Diário de Cuiabá
Baseado no livro de Richard Matheson que já originou “O Último Homem da Terra” e “ A Última Esperança da Terra”, a produção “Eu Sou A Lenda” (I Am Legend, EUA, 2007/Warner), dirigido por Francis Lawrence (“Constantine”), é uma das mais caras de Hollywood dos últimos tempos. A trama retrata o pesadelo de muita gente: ficar sozinho no mundo, sem uma única pessoa com quem ao menos conversar. No ano 2012, o médico e oficial do exército Robert Neville ( Will Smith) está só em Nova York. Um vírus criado pelo homem – que em princípio, deveria ser a cura para o câncer – se torna o responsável pela quase extinção da raça humana. Os que não foram mortos se transformaram em seres bizarros e primitivos que parecem se alimentar de carne humana e morrem se expostos à luz do sol. Dr. Neville, imune ao vírus mutante, sobrevive ao lado de sua cadela em uma cidade totalmente devastada, enquanto busca uma cura para o vírus mortal no laboratório montado em sua casa. E são as cenas de Will Smith em Nova York que fazem o filme valer a pena. Seu personagem andando por uma Times Square irreconhecível, com mato pelas calçadas, carros abandonados, prédios em pedaços e nenhuma pessoa nas ruas é impressionante. Smith, praticamente atuando sozinho até mais da metade do filme, dá um show como esse homem que vive no limite da loucura: ele bate papo com o cachorro, pendurou um Van Gogh “emprestado” de algum museu na sala de casa e ainda vai todos os dias à locadora de vídeo como se ela estivesse funcionando normalmente. Tudo realmente impressionante, até que, finalmente, os tais zumbis aparecem, e o filme se perde um pouco. Do primeiro encontro do Dr. Neville com as criaturas até o seu final, “ Eu Sou A Lenda” se transforma em um thriller de ação e suspense bem mediano, nada diferente de tantos outros. A cidade vazia, a busca de Neville por outros sobreviventes e seu drama pessoal pela perda da família ficam para segundo plano, frente à quase frenética caçada que começa. Nem mesmo a chegada de Anna (a brasileira Alice Braga, cuja personagem, também brasileira, não sabe quem é Bob Marley), muda um pouco as coisas, pois ela logo se torna mais um elemento para as cenas de ação. Direção fraca e enredo que deixa muitas perguntas sem respostas acabam comprometendo a milionária produção que tinha nascido para virar lenda. O lançamento de “Eu Sou A Lenda” em disco digital ganha uma edição especial trazendo um final alternativo que acrescenta treze minutos a versão exibida no cinema, além de outros extras.

Edição EDIÇÃO 16967




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