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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 16 de Outubro de 2010, 11h:55

ARQUITETURA

Um sonho (im)possível

69 profissionais, 45 ambientes abertos a visitação até dia 27 de outubro. Uma breve reflexão sobre a sustentabilidade

Cláudio de Oliveira
Da Editoria
A Casa Cor Mato Grosso está na sua reta final. Estive duas vezes na Casa para apreciar com calma e tecer comentários sobre este universo que ronda a utopia ou o sonho. Ver em mais de um banheiro uma privada com design simples, um quadrado, ou melhor, um cubo e descobrir o seu preço R$ 3 mil dá uma noção do que temos ali. A banheira do casal (Casa 1), por exemplo, custa a bagatela de R$ 16 mil reais. É claro que TVs, e todos os mimos da Casa estarão mais “acessíveis” no fechamento da mesma chamado Casa Cor Special Sale (desconto especial, em bom português), os ‘sales’ são de 30% a 70% e serão concedidos para os interessados nos dias 25, 26 e 27 de outubro. O tema deste ano foi a sustentabilidade: “Sua casa, sua vida, mais sustentável e feliz!”. Para um semi-ignorante olhar os ambientes e procurar por sustentabilidade pode ser uma tarefa complexa. Afinal, alta tecnologia empreende um gasto considerável de energia e junto com ela um apelo consumista questionável. O conceito que fica óbvio apenas no jardim externo (e claro nas madeiras de reflorestamento ou reaproveitadas) de autoria das paisagistas Walkiria e Valderez Scedrzik com cercas que servem para armazenamento de materiais que se decompõem, como as folhas secas e que usa também um piso drenante, que absorve e escoa a água para o solo (nada óbvio). O Jardim de Contemplação “Dona Teresa” da dupla, aliás, ganhou como “Projeto mais sustentável”. Para Lucio Costa "Arquitetura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção.” São as escolhas limitadas por uma série de variáveis que conferem ao arquiteto o caráter de artista ou maestro. Na Casa 3, perguntei à arquiteta Érika Queiroz sobre o tal conceito. Ela clareou-me. A parede era revestida por lona de caminhão retrabalhada, o tapete couro de boi reaproveitado cortado a laser, as luzes na medida em led e com poucos pontos, o abajur com materiais reciclados mais parecia uma joia. Como se vê, a ignorância com certeza obstrui a contemplação.

Edição EDIÇÃO 16961




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