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ILUSTRADO
Terça-feira, 23 de Agosto de 2011, 18h:49

DVDs

Um espirituoso capítulo década depois

O documentário americano “Restrepo” e o terror velho conhecido de “Pânico 4”, melhor que os anteriores, são os títulos avaliados nesta quarta-feira

Juarez Compertino*
Especial para o Diário de Cuiabá
E lá se vão 10 anos desde que o esfaqueador mascarado aterrorizou Sidney Prescott (Neve Campbell) na conclusão da trilogia “Pânico”. Na segunda metade dos anos 90, a série escrita por Kevin Williamson e dirigida pelo mestre Wes Craven (“A Hora do Pesadelo”) conseguiu revitalizar o terror reescrevendo o modo como uma nova geração encarava os filmes do gênero. Se não revolucionou o tema, “Pânico” (1996) deu início a uma legião de fãs, os mesmos que viram minguar a criatividade nas continuações de 1997 e 2000. Eis, então, a boa-nova para os seguidores da cinessérie: “Pânico 4” (Scream 4, EUA, 2011/Imagem) não decepciona em sua fórmula de juntar humor e pavor. O show continua nas mãos de Craven e Williamson (ausente na terceira parte), que recuperaram a trinca de protagonistas e aproveitaram para, claro, reescrever as “regras”. O quarto capítulo começa com uma divertida seqüência de pegadinhas de horror cuja paródia ao próprio “Pânico” é explicita. Na trama principal, Sidney (Campbell), agora uma mulher trintona, regressa à cidade natal como última etapa de sua turnê de divulgação de seu livro de autoajuda. A pequena, mas agitada, Woodsboro está em polvorosa com as celebrações que estão programadas para lembrar o aniversário de dez anos do massacre em que o serial killer mascarado matou diversos jovens. Sidney reencontra a tia (Mary McDonnell) e uma prima (Emma Roberts, sobrinha de você-sabe-quem), além de alguns amigos, como o xerife Dewey (David Arquette) e a jornalista Gale (Courteney Cox), que também foram vitimas do mesmo assassino e escaparam. No entanto, parece que alguém quer imitar o esfaqueador mascarado e começa a aterrorizar a cidade novamente, retalhando vítimas com um facão. Roterista e realizador adotam a forma narrativa do “quem matou?”. Mas, até chegar à identidade – bastante surpreendente – do criminoso, há piadas hilariantes e autorreferências espirituosas. “Pânico 4” está cercado de uma nova geração de atores. Entre eles, além da citada Roberts, a sua turma, que traz Anna Paquin (estrela do seriado “True Blood”), Hayden Panettire (da série “Heroes”) e Rory Culkin (irmão de você-sabe-quem) – todos versados nas novas regras de filme de terror, aprendidas com séries como “Jogos Mortais”. Ou seja: o sangue agora jorra em cascatas. Imitada ao longo de quinze anos, a série “Pânico” virou símbolo da geração de adolescentes da década de 90 e ganhou cópias baratas (“Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado” é um exemplo). Todas elas ignoraram a esperta frase dita por uma das protagonistas do episódio atual, que o torna ainda mais irresistível: “A primeira regra de uma refilmagem é nunca mexer com o original”.

Edição EDIÇÃO 16961




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