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ILUSTRADO
Terça-feira, 16 de Junho de 2009, 20h:31

ESPETÁCULO

Um encontro das artes

Uma encenação que combina literatura, música e teatro é o que há hoje como atração aos interessados na oferta consistente de arte em Cuiabá

Claudio de Oliveira
Da Redação
O projeto Poesia, Versos e Cordas do SESC Arsenal promove um encontro entre a música e a literatura com um tempero extra das artes cênicas. No mundo atual com toda a pós-modernidade e a transversalidade de temas e discussões o projeto torna-se apropriado para as experimentações. Hoje o projeto recebe A Cia Pessoal de Teatro com a leitura de textos do escritor moçambicano Mia Couto. O escritor coleciona prêmios e, salvo engano, já foi indicado ao Nobel de Literatura apesar de não o ter ganhado. Ele é sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras, e um dos maiores escritores contemporâneos africanos e da literatura de língua portuguesa. É o autor de seu país mais traduzido no mundo e, só em Portugal, seus livros somam quase meio milhão de exemplares vendidos. Segundo o blog da Cia. Pessoal de Teatro, o grupo “nasceu de um outro grupo, "As Bacantes", montado quando elas estudavam teatro em Curitiba. O grupo As Bacantes só fez um espetáculo, "Retalhos", e depois se separou. “Nos encontramos de novo nas montanhas de Minas, e com o espetáculo Primeira Pele, em 2001, nasceu a Cia. Pessoal de Teatro”, está escrito no blog. O grupo mantém uma busca constante pela versatilidade, experimentando diversos espaços cênicos entre jardins, casarões, galpões e palcos. O mais novo espetáculo da trupe, que é composta por Tatiana Horevicht, Daniela Leite e Juliana Capilé, é “Na Beira da Terra”. A Cia. traz para o palco a leitura de fragmentos da obras “Veneno de Deus, remédio do Diabo” (2008), “Um Rio chamado Tempo, e uma Casa chamada Terra” (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira) e “O último vôo do Flamingo” (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prêmio Mário António de Ficção). A costura destes retalhos traz à tona a visão de Mia Couto sobre sua Moçambique. Para o autor, seu país ainda está sendo inventado. Essa inquietação com a dilapidação de sua nação move Mia Couto a escrever sobre sua terra e seu tempo. “A terra, a árvore, o céu: é na margem desses mundos que tenho a ilusão de uma costura” disse Mia. Couto tem uma escrita que aspira ganhar sotaques do chão, fazer-se seiva vegetal e de quando em quando, sonhar o vôo da asa rubra. “Nos meus romances me confrontei com os mesmos demônios e entendi inventar o mesmo território de afetos, onde seja possível refazer crenças e reparar o rasgão do luto em nossas vidas”, revela o autor. “Na Beira da Terra” apresenta as falas dos personagens contando sobre Moçambique; sobre uma terra em ajustes, que já foi roubada e invadida, e que pretende retornar às suas raízes. Revela em lupa o que vemos em todo território africano, em larga escala. Países que cederam força de trabalho para tantas colônias e que agora amargam uma pobreza vinda do racismo e da ganância. O autor quer provar que seu país tem muita riqueza e não merece o descaso de seus próprios políticos. Para ele, o maior mal é ver os governantes de Moçambique retalharem seu país descaradamente. Tatiana Horevicht, Daniela Leite e Juliana Capilé trabalham as vozes dos personagens, além de produzirem a música cênica do espetáculo. A música será executada ao vivo e também gravada como trilha sonora e segundo Tatiana ela entra como um suporte para a leitura. Tatiana também fez questão de frisar que “não é bem um espetáculo cênico, mas uma leitura”, um espetáculo mais híbrido, “onde a literatura se apresenta claramente e o público pode ouvir e ler isto em algum lugar”. (com assessoria) Serviço: O QUE: Poesia, Versos e Cordas “Na Beira da Terra” ONDE: SESC Arsenal QUANDO: hoje, às 15 e 20 horas QUANTO: Grátis INFORMAÇÕES: 65 3616 6900

Edição EDIÇÃO 16960




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