O diretor irlandês Neil Jordan tem uma carreira prestigiada, porém de altos (Traídos pelo Desejo, Fim de Caso) e baixos (Premonição, Valente). Sua mais recente realização, Ondine (Irlanda, 2010/Swen), faz parte de seus momentos menos inspirados. Um pescador divorciado e alcoólatra realibitado, Syracuse (Colin Farrell), certo dia ergue sua rede da água e se depara com uma jovem estonteante dentro dela (Alicja Bachleda, de exótica beleza). Sereia não é porque não tem cauda e sua filha dele, a pequena Annie (Alison Barry), esperta além da conta, decide que a moça que diz se chamar Ondine e não quer se vista por ninguém - é uma selkie, criatura da mitologia irlandesa que teria o poder de se transformar de foca em humano. A moça vai entrando na vida da família e embarcando na fantasia proposta pela garota. Não tarda, Syracuse apaixona-se desesperadamente pela misteriosa Ondine. Como em todos os contos de fadas, a magia e a escuridão caminham lado a lado. Aos poucos a realidade interfere na fantasia, e o improvável relacionamento entre Syracuse e Ondine desencadeia uma série de reações e consequências na vida de todos. Dá até para se entreter com essa fábula romântica, sobretudo pelas belas locações no litoral irlandês e pela competente direção de fotografia de Christopher Doyle (de Paranoid Park e Amor à Flor da Pele). O realizador, no entando, dá um banho de água fria no espectador ao injetar inoportunas doses de realismo nos minutos finais da trama. (J.C.)