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ILUSTRADO
Quarta-feira, 23 de Junho de 2010, 20h:47

MÚSICA

Tupiniquim dodecafônico

Quinteto de Sopros da Paraíba mostra hoje no Sesc Arsenal o potencial de eruditos brasileiros como Guerra Peixe e Cláudio Santoro

Cláudio de Oliveira
Da Redação
A música erudita não é um bicho de sete cabeças, no caso de Guerra Peixe (1914-1993) e Cláudio Santoro (1919-1989) ela está mais para doze. Músicos inquietos e polivalentes, Peixe e Santoro trilharam caminhos semelhantes, de certa forma. Apropriaram-se da chamada técnica dos doze tons como processo de composição, mais conhecida como dodecafonismo, criada pelo austríaco Arnold Schoenberg como forma de reorganização do som para, em dado momento, buscarem uma singularidade identificada com uma estética mais popular. Incorporaram, então, elementos genuinamente brasileiros, sons da música folclórica nacional e, por vezes, estilizaram sonoridades indígenas, em suas composições. A noite de hoje no SESC Arsenal faz uma homenagem a ambos compositores. O Sonora Brasil 2010: As obras de Cláudio Santoro e Guerra Peixe serão executadas pelo Quinteto Latino-Americano de Sopros da Paraíba. Às 20h e a entrada é grátis. O projeto Sonora Brasil tem como principal vertente a formação de ouvintes musicais através da abordagem da história musical brasileira, apresentando aos espectadores artistas e pesquisadores que o mercado musical tradicional e o atual circuito dito “alternativo” não contempla. Considerando a metodologia de desenvolvimento do projeto, estruturada na segmentação temática de seu conteúdo, neste ano de 2010 serão abordadas as várias vertentes composicionais, características marcantes, semelhanças e diferenças entre os compositores Cláudio Santoro e Guerra Peixe. Nesta primeira etapa quem faz as vezes é justamente o Quinteto. Em sua 13ª edição o Sonora deve realizar 340 concertos este ano em várias cidades do Brasil. Os homenageados são considerados expoentes da vertente nacionalizante que influenciou a estética musical erudita contemporânea, no país, se tornaram referências e influenciaram as gerações seguintes de compositores e músicos brasileiros de expressão tais como Baden Powell, Edu Lobo, Tom Jobim e Arrigo Barnabé. Quinteto latino-americano de sopros da Paraíba O Quinteto foi formado em fevereiro de 1978, e é integrado por professores do Departamento de Música da Universidade da Paraíba (UFPB), apresentando-se regularmente em diversos estados do país e no exterior. Desde 1991, o grupo cumpre um programa de pesquisas para apresentar obras inéditas de compositores nordestinos. Com um vasto repertório formado com obras de diferentes estilos e épocas incursiona na música popular e erudita, concentrando seus esforços na orientação do gosto e da sensibilidade da plateia, dando especial atenção na divulgação de obras, arranjos e transcrições da música latino-americana. BOX Fazem parte do grupo: - Carlos Rieiro (Clarinete) formado no Conservatório Municipal de Buenos Aires. Estudou com Martin Tow, Richard Stolzmann e Jost Michaels. Bolsista da Fundação Bariloche, ganhou os concursos: a Jovens Solistas da Camerata Bariloche, da Radio Nacional e Revelação 1977 do Ministério da Cultura da Argentina. Professor convidado dos festivais Campos do Jordão, Inverno de Londrina entre outros. È professor adjunto da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) desde 1978 e solista da OSPB (Orquestra Sinfônica da Paraíba) desde 1980; - Cisneiro Andrade (Trompa) graduado em 1989 no curso de bacharelado em Música pela UFPB sob a orientação do Prof. Carlos Moreira. Integra os conjuntos de câmara “Sexteto Brassil” e “Quinteto Latino-Americano de Sopros”. Junto ao Sexteto Brassil, gravou quatro CDs e realizou diversas turnês no Brasil e no exterior. Atualmente é Professor de Trompa e de Percepção Musical no Departamento de Música da UFPB. Mestre em Música pela UFPB e trompa solista da Orquestra Sinfônica da Paraíba; - Renan Rezende (Flauta) formado na UFPB estudou com o professor Gustavo Paco de Gea. Em 2005, realizou curso de especialização de nível técnico na Escola de Música de Brasília. Flautista solista da Orquestra de Câmera de João Pessoa e da Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba integrou a Orquestra de Câmera da UFPB e participa de importantes projetos artísticos que envolvem o desenvolvimento de pesquisas e a interpretação da obra dos compositores paraibanos; - Heleno Feitosa (Fagote) começou seus estudos musicais aos 10 anos de idade em sua cidade natal, Itaporanga-PB, com o professor Major Adauto Camilo. Graduou-se pela UFPB onde foi orientado por Egon Figueroa e José de Arimatéia. Tem sido convidado como artista e professor de fagote/saxofone em alguns dos mais importantes Festivais de Música do Brasil. É membro fundador do JPSax e do Caninga Trio. Atualmente é professor de Fagote/Saxofone da UFPB e músico da Orquestra Sinfônica da Paraíba. - João Johnson (Oboé) iniciou seus estudos no Conservatório Pernambucano de Música com o seu pai, o professor Wascyli Simões. Aos 12 anos já apresentava seus primeiros recitais no Conservatório e na TV Universitária. Em 1974, foi 2ª colocado no Concurso Jovens Instrumentistas, em Piracicaba (SP). Em 1978, segue para a Alemanha, como bolsista do DAAD, onde estudou com Ingo Goritzki. Em 1981, de volta ao Brasil, é contratado pela UFPB e Orquestra Sinfônica da Paraíba. Em 1994, passa a integrar o Quinteto. (Com Assessoria)

Edição EDIÇÃO 16962




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