Caminhos são fragmentos. Roteiros de vidas que se misturam. Fundem. Confundem. Nas curvas se perdem. Embaralham mundos. Moribundos. Pinta olhos com o pó. Noturno. Nuvens seduzidas pela brisa. No frio aconchego do inverno os sonhos se estranham entre verão e outono. Fragmentos são vidas desenhadas. Aniquiladas. Pedaços de sonhos esquecidos numa manhã de pouco sol. Confusas luzes que labutam. Embaralham em vontades. Enquanto se discute o café o aroma foge. Paredes amarelas denunciam. Muda. Calada. O dia se estende oculto em desejo. Pálido. A ausência incomoda mais do que deveria. Futrica dores antigas. Mágoas passadas. Moinhos humanos misturam dúvidas e vontades. Fábrica de opções. Ciúmes. Talvez insegurança. Impotência de correr vista no verme da concorrência. Fraqueza própria. Não se parte o vagar dos sonhos sem rachar a paciência. Lustra móveis. Caras lembranças envenenadas. Caminhos. Franca régua espichada em variantes. Estradas colhem passos. Embaralha vidas. Leva amores e devolve a solidão. Outras razões. Esconde na insignificante tortura de parir vazios. Um partir traiçoeiro. Ruas sedentas de curvas e retas desconexas. Distância perigosa e sedutora. Afoga a esperança em eternas dúvidas. Caminhos separam. Vidas se bifurcam. Esfacelam. Tortura, tortuosa. Descabidas. Reencontram. Descontam. Dá sede, razões complexas. Provoca explicações desconhecidas. Sem concordância. Os carinhos se esgotam em letras esmaecidas. Tensões em sonetos. Limites sem realidades acesas. Fantasias de cinzas soltas. Artimanhas. Depois do bagaço o véu da noiva transpira no sovaco da montanha. Estranha. Verde sem época. Recortes. Cortando as unhas do tempo. Dos dedos recontados. Caminhos perdidos que se encontram. Novidades. Abraços molhados. Dançarinos da espera. Os ipês balançam mais não caem. Tudo é flor enquanto o crepúsculo grita um fim vazio e solitário. Numa noite em que todos os gatos são pardos. Noite cor de sedução. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado
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