Dentre os vários movimentos musicais do litoral atlântico brasileiro o reggae tem uma talhada considerável do mercado. Seus ouvintes praianos são expressivos em cidades como Recife, Salvador e Florianópolis. Nesta última cidade, vivi a experiência do mestrado. Aos finais de semana, por vezes, pude ouvir muitas bandas com tendências diversas. Entre elas estava o estilo nascido na Jamaica. Creio que não precisa ser um rastafari para aprender a escutar a mensagem desse jeito de fazer música. Na semana que passou O DC Ilustrado recebeu correspondência da Central Reggae. O envelope continha o novo CD do Tribo de Jah. Lógico que não havia lá dentro nem charque ou carne de sol, tipo verbas ocultas que ninguém fica sabendo. Faz parte das estratégias de divulgação o providente envio de um exemplar do trabalho novo de bandas, o que está de acordo com o jornalismo cultural voluntário e desinteressado que praticamos. O nosso maior prêmio é contribuir de forma a estimular o debate estético musical nos meios de comunicação, sem frivolidades. Aí o Diário de Cuiabá está fazendo sua parte: promover a escrita deste capítulo na História Pós-Moderna Digital da Imprensa Mato-Grossense. Nisso, os paus-rodados também são bem vindos. Um grande mestre do violão cuiabano já pontificou que: o reggae é uma espécie de blues mal tocado. Não sei, até pode ser. Mas nas regiões praianas, o reggae tem um sentido todo especial. O Tribo de Jah tá na área desde meados da década de 80. Eles cantam reggae em inglês e português. O curioso é que os músicos são cegos e se conheceram num instituto especial do Maranhão. Esse novo álbum The Babylon Inside tem alguns bons momentos. Por exemplo, a faixa 03 que realiza um canto de protesto social mesclando trio de metais, Hip-hop e solo de trombone. O Tribo de Jah participou em 1995 de um festival internacional de reggae na Jamaica. A faixa 04 tem versos gostosos de cantar contendo crítica à política internacional envolvendo a tragédia do Iraque. Lá se observa a possível influência da falecida banda paulista Karnak. Daí pra lá o CD rola numa descarada clonagem rítmica e dos modos melódicos, somente variando na poética utilizada. Legal o trabalho desenvolvido pela empresa Central Reggae que funciona como uma incubadora de bandas divulgando-as em rádio FM e Internet. O trabalho é positivo porque busca superar o espaço concedido na mídia para o reggae. Num olhar sobre o histórico da ilha Xaymaca, isto é, Terra das Primaveras, constata-se que lá habitavam os índios arawak quando Colombo ali chegou por volta de 1494. Durante o domínio espanhol a mão de obra escrava importada da África trouxe para a Jamaica um tempero antropológico sui generis. Etnias como os Mandingo, Ibos e Hausa reproduziram seus tambores. Os nativos da tribo Bongo do leste da ilha, também são dignos de nota para explicar as raízes mais primitivas do reggae. Não se pode desprezar as canções trazidas pelos ingleses com sua rica memória folclórica. Enfim, o reggae é a resultante de uma fusão multiracial. E Tribo de Jah segue a linha da melhor tradição jamaicana. SERVIÇO: O QUE: CD do Tribo de Jah Título: The Babylon Inside ONDE: www.centralreggae.com.br e nas lojas de música mais descoladas da cidade. *Ney Arruda é professor, músico e advogado mato-grossense (
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