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ILUSTRADO
Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2009, 20h:41

EMPATIA

Tony Ramos e os 45 anos de carreira

Ator fala sobre como recebe o sucesso de "Se Eu Fosse Você 2" e dá algumas dicas sobre como consegue se manter "namoradinho do Brasil" há tantos anos

Patrícia Villalba
Agência Estado
É arriscado tentar explicar um fenômeno de público, que nunca tem apenas um fator. Mas quem acompanha os bastidores da TV poderia cravar que o absoluto sucesso de "Se Eu Fosse Você 2" - até a última quinta-feira (5), fez 4.405.036 espectadores, em 305 salas - pode ser creditada à notável empatia que o ator Tony Ramos tem com o público; e, claro, ao par mais simpático dos últimos tempos, que ele forma com a atriz Glória Pires. No ar como o Opash da novela "Caminho das Índias" (Globo) e se preparando para lançar um filme bem diferente da comédia-sensação da temporada - "Tempos de Paz", adaptação cinematográfica de "Novas Diretrizes em Tempos de Paz", peça em que atuou ao lado de Dan Stulbach -, o ator conversou com A Agência Estado por telefone. Na entrevista, ele fala sobre como recebe o sucesso de "Se Eu Fosse Você 2" e nos dá algumas dicas sobre como consegue se manter "namoradinho do Brasil" há 45 anos AGÊNCIA ESTADO - Tony, vamos fazer uma entrevista sobre o Opash, de "Caminho das Índias", e sobre o grande sucesso de "Se Eu Fosse Você 2"... TONY RAMOS - É um momento feliz, quando gravo essa entrevista com você, dia 30 de janeiro. O filme não completou um mês nos cinemas e já fez 4,4 milhões de espectadores. Anteontem, o (diretor) Daniel Filho me ligou emocionado para dizer que em apenas um dia, uma segunda-feira, foram 130 mil espectadores. Uma brincadeira interna, minha com o Daniel, era "vamos resgatar as matinês de domingo". Ele respondia "não só domingo, mas as quintas, quartas...". Se você me perguntasse se eu tinha dúvidas de que faria sucesso, te diria que não. Mas se o sucesso seria tão grande? Realmente, eu não imaginava. AE - O primeiro filme fez muito sucesso (3,6 milhões de espectadores). Não ficou com medo que o projeto tivesse esgotado? TONY RAMOS - Toda continuidade é perigosa, os americanos sabem disso. No nosso caso, era muito difícil fazer uma continuação, porque é um filme sobre um homem e uma mulher que mudam de corpo Quando fomos convidados, a Glória e eu, ficamos preocupados. Como continuar a história? Só se fosse a partir de um roteiro mais encorpado. Deu certo. AE - Vi o filme num shopping e é impressionante o impacto que ele tem na plateia, de todas as idades. TONY RAMOS - Na pré-estreia, vi com aquele público mais do meio, e mesmo assim foi muito impactante. Depois, fui ver no Fashion Mall, aqui no Rio - entrei quando já tinha começado. Há todo tipo de reação. O Daniel está filmando essas reações, em várias regiões do Brasil. Vi um cidadão, advogado daí de São Paulo, que disse: "Olha, não é só comédia não. O filme discute a relação de casal de uma maneira muito interessante." Tem sessões que as pessoas chegam a aplaudir. AE - Aplaudiram na que eu fui também. Uma coisa interessante é que não se trata de você parecer um sujeito efeminado ou uma mulher qualquer - você parece a Glória Pires mesmo. Houve preparação especial? TONY RAMOS - É uma preparação profissional - o especial não existe, ensaio é a palavra mágica. E um dos segredos desse filme: não se filma uma segunda tomada, tem de valer a primeira porque é comédia. Então, ensaiamos durante três semanas com afinco - das 9 às 20 horas. Tinha um momento em que a Glória fazia cenas como Helena e eu ficava olhando, para reproduzir. Depois, vice-versa. AE - O sucesso já dá a dica de que vocês vão fazer um terceiro filme? TONY RAMOS - (risos) Tem uma brincadeira do Daniel no final dos créditos - "Vem aí Se Vovó Fosse Vovô" . Tem como fazer, claro que tem. Mas é preciso ter prudência com o sucesso. Há convites, especulações sim, não vou mentir para você. Mas vamos ver se em 2010 temos uma boa ideia. AE - Li uma entrevista sua dos anos 70 em que você dizia que gostaria de ser diretor. Abandonou a ideia? TONY RAMOS - A novela que me projetou foi "O Astro" (1977), e eu vim caminhando com a aura do herói romântico, um estereótipo. Aos poucos, fui dando sinais, como o Riobaldo de "Grande Sertão:Veredas". Uma carreira deve ser pontuada pela sua preocupação de inquietar o público. Faço agora 45 anos de profissão. O diretor talvez nunca aconteça, porque eu gosto de atuar. Mas eu comecei a ficar mais mordido para fazer algum trabalho como diretor agora. Sem data marcada, porque gosto de me surpreender com os projetos, como foi agora com "Caminho das Índias". AE - Verdade que você só voltaria à TV na próxima novela de Silvio de Abreu? Como foi parar na Índia? TONY RAMOS - Sim. Estava na Alemanha com a minha mulher e recebi um telefonema da (autora) Glória Perez, que me contou o que seria "Caminho das Índias". Fiquei apaixonado pela ideia. E estou aí fazendo o Opash. Os projetos me fascinam ou não me fascinam. Simples como estou te dizendo. AE - Mas um ator como você, do pequeno grupo que dá credibilidade a qualquer novela, não é pressionado a estar no ar? TONY RAMOS - Olha, ouço essa observação e me sinto até homenageado. Não sei se faço parte desse grupo, mas tenho muitos convites sim. Pode causar estranheza em certos jornalistas, mas eu gosto de fazer novela! Mas não é porque gosto de fazer, que vou fazer todas que me chamam. Os autores e a direção da Globo sabem disso. Tanto é que eu estava liberado para dizer não a "Caminho das Índias". Ninguém me obrigou a fazer. E continuo reservado para o Silvio. Quando ele quiser, faço a novela dele.

Edição EDIÇÃO 16960




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